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PMMA: cirurgião plástico alerta sobre riscos em procedimentos estéticos

Médico afirma que produto não deveria ser utilizado para fins estéticos, alerta para risco de embolia pulmonar, deformidades permanentes e orienta pacientes a exigirem informações sobre o material aplicado.

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  • PMMA é usado em procedimentos estéticos, mas pode causar deformidades e infecções graves.
  • Substância plástica não é absorvida pelo corpo, dificultando remoção e aumentando riscos.
  • Embolia pulmonar é risco grave, com possibilidade de morte por entrada da substância na corrente sanguínea.
  • Infecções podem surgir anos após o procedimento, tornando o tratamento complexo e difícil.
  • Profissionais recomendam uso de gordura do próprio paciente e alertam contra preços muito baixos.
Imagem ilustrativa | Divulgação

A busca por procedimentos estéticos rápidos e de baixo custo pode esconder riscos graves à saúde. O uso do polimetilmetacrilato (PMMA), substância aplicada em preenchimentos corporais e faciais, voltou a acender o alerta entre especialistas devido às complicações que podem surgir imediatamente após a aplicação ou anos depois do procedimento.

O cirurgião plástico Dr. Deavis Barbosa explica que o PMMA deve ser usado em situações muito específicas. "Na realidade, o PMMA não deveria ser utilizado em procedimentos estéticos. Isso já há muito tempo é uma sugestão do Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Hoje, a utilização devidamente autorizada é para pessoas com HIV que apresentam perda importante de volume facial por causa das medicações."

Segundo o médico, apesar dessa recomendação, a substância continua sendo utilizada para aumentar o volume de regiões como glúteos, coxas, braços e até mesmo no rosto.

Produto é permanente e pode causar deformidades

O PMMA é um material plástico que não é absorvido pelo organismo. Uma vez aplicado, permanece no corpo de forma definitiva, o que dificulta qualquer tentativa de remoção.

"Ele é um plástico. Uma vez que você coloque, ele vai ficar ali em definitivo. O corpo não consegue absorver nem eliminar essa substância."

Para explicar a dificuldade de retirada, o cirurgião compara o comportamento do produto ao da areia presa em um tecido.

"É como a areia que entra no forro de um short na praia. Depois você não consegue tirar completamente. Assim acontece com o PMMA. Ele se espalha pelos tecidos e, muitas vezes, só seria possível retirar removendo parte do tecido da região, e nem assim conseguimos eliminar todo o produto."

As consequências podem incluir deformidades permanentes, infecções recorrentes e limitações para futuros procedimentos estéticos.

Embolia pulmonar é o maior risco

Entre as complicações mais graves está a possibilidade de embolia pulmonar causada pela entrada da substância na corrente sanguínea.

"O principal risco é a vida. Essa substância pode entrar na corrente sanguínea e causar uma embolia pulmonar. Como se trata de um plástico, não existe tratamento para removê-lo do pulmão."

O especialista destaca que pequenas quantidades já podem provocar consequências fatais.

"Com 10 a 20 mililitros dessa solução já pode haver um volume suficiente de plástico para causar uma embolia pulmonar grave."

Infecções podem surgir anos depois

Mesmo quando o procedimento aparentemente dá certo, o paciente pode desenvolver complicações muito tempo depois.

Segundo o médico, é comum atender pessoas com infecções crônicas provocadas pelo PMMA, principalmente em glúteos, coxas e rosto.

"Tenho muitas pacientes tentando tratar sequelas definitivas. Muitas apresentam infecções constantes, saída de pus e vermelhidão. A gente vive preocupado se aquela substância vai desencadear uma infecção que exija uma intervenção rápida."

Ele explica que essas infecções são difíceis de tratar porque o antibiótico não consegue agir diretamente sobre o material.

"O sangue circula apenas nos tecidos vivos. O plástico não recebe circulação. As bactérias formam um biofilme ao redor do PMMA e o antibiótico praticamente não consegue alcançar essa região."

Como reduzir os riscos

Antes de realizar qualquer preenchimento, o cirurgião recomenda que o paciente saiba exatamente qual produto será utilizado e exija a identificação da substância.

"Se optar por um preenchimento, peça para ver o produto. No caso do ácido hialurônico, isso estará identificado na embalagem. Exija também a etiqueta para guardar com você."

Ele também alerta para ofertas muito abaixo do preço de mercado e para procedimentos realizados por pessoas sem qualificação.

"O que é muito barato provavelmente tem algo errado. Infelizmente vemos pessoas sem formação reunindo clientes em casas para fazer aplicações. Depois elas desaparecem e quem fica é o paciente convivendo com as complicações pelo resto da vida."

Gordura do próprio paciente é alternativa mais segura

Quando há indicação para aumento de volume corporal, o especialista afirma que o enxerto de gordura continua sendo uma das opções mais seguras.

"A melhor substância ainda é a gordura da própria pessoa. É um tecido do próprio organismo, seguro, e a parte que permanece fica para toda a vida."

Segundo ele, casos relacionados ao PMMA são frequentes em seu consultório.

"Existem muitos casos. Tenho pacientes com deformidades na face e nas coxas. Atendi uma paciente que começou a tratar essas complicações com apenas 20 anos."

O especialista orienta que, antes de qualquer procedimento estético, o paciente procure profissionais habilitados, esclareça todas as dúvidas sobre os produtos utilizados e desconfie de promessas de resultados rápidos com preços muito abaixo do mercado.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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