Um estudo recente indica que o consumo moderado de café pode trazer benefícios importantes para a saúde mental ao longo do tempo. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Fudan e analisou dados de mais de 460 mil pessoas acompanhadas por mais de uma década.
Os pesquisadores utilizaram informações do banco de dados UK Biobank para investigar a relação entre o hábito de beber café e o desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e estresse. Todos os participantes apresentavam boa saúde mental no início do estudo, o que permitiu observar como esses quadros surgiram ao longo dos anos.
Os resultados apontaram que existe uma faixa considerada ideal de consumo. Pessoas que ingeriam cerca de duas a três xícaras de café por dia apresentaram menor risco de desenvolver problemas de saúde mental quando comparadas tanto àquelas que não bebiam café quanto às que consumiam em excesso.
Por outro lado, o estudo também mostrou que exagerar na bebida pode ter efeito contrário. Indivíduos que consumiam cinco ou mais xícaras diariamente tiveram maior probabilidade de desenvolver transtornos de humor, indicando que o benefício está diretamente ligado ao equilíbrio.
Os cientistas observaram uma relação em formato de “J”: os efeitos positivos aumentam até um nível moderado de consumo, mas diminuem quando a ingestão é muito baixa ou muito alta. Isso reforça a ideia de que nem a abstinência total nem o excesso são ideais para a saúde mental.
Outro ponto analisado foi a influência da genética no metabolismo da cafeína. Mesmo levando em conta diferenças individuais na forma como o organismo processa a substância, os resultados se mantiveram consistentes, sugerindo que o padrão geral vale para a maioria das pessoas.
Os pesquisadores também destacam possíveis explicações biológicas para os efeitos observados. A cafeína atua no cérebro bloqueando a adenosina, substância ligada à sensação de cansaço, o que aumenta o estado de alerta. Além disso, pode estimular a produção de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, motivação e bem-estar.
Apesar dos achados positivos, os autores alertam que o café não deve ser visto como solução única. A sensibilidade à cafeína varia entre indivíduos, e algumas pessoas podem apresentar efeitos adversos como ansiedade, insônia e palpitações mesmo com quantidades moderadas.