- Mineração de sal-gema pela Braskem em Maceió começou em 1975 e causou instabilidades no solo.
- Rachaduras e deformações no terreno foram observadas a partir de 2018, especialmente no bairro do Pinheiro.
- Mais de 60 mil pessoas foram deslocadas devido ao colapso do solo em áreas como Pinheiro e Mutange.
- A Mina 18, em 2023, motivou a declaração de emergência e mobilização da Defesa Civil em Maceió.
- Justiça Federal aceitou denúncia contra Braskem por prejuízos estimados em R$ 40 bilhões.
Mineração começou na década de 1970
O desastre que mudou a paisagem de Maceió, em Alagoas, está ligado à exploração de sal-gema pela Braskem. A atividade começou em 1975 e se estendeu por décadas.
O sal-gema é uma rocha encontrada em grandes profundidades e utilizada pela indústria química na produção de materiais como soda cáustica e PVC.
Durante a exploração, foram abertas dezenas de minas no subsolo da capital alagoana. Com o passar dos anos, algumas cavidades perderam estabilidade, provocando deformações no terreno.
Rachaduras deram os primeiros sinais
Os primeiros sinais mais graves apareceram em 2018, principalmente no bairro do Pinheiro. Moradores começaram a perceber rachaduras em imóveis e ruas, além de problemas estruturais.
Naquele período, um tremor de terra aumentou a preocupação e as áreas de risco começaram a ser ampliadas para outros bairros.
Investigações apontaram a atividade de mineração como responsável pela instabilidade do solo. A partir daí, milhares de moradores começaram a ser retirados das regiões consideradas perigosas.
Bairros inteiros ficaram vazios
O problema atingiu principalmente regiões como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.
Mais de 60 mil pessoas precisaram deixar suas casas, enquanto milhares de imóveis foram desocupados. Comércios, escolas e outros equipamentos públicos também foram afetados.
O resultado foi o esvaziamento de áreas inteiras de Maceió, transformando antigos bairros movimentados em regiões praticamente desertas.
Mina 18 aumentou o temor de um colapso
Em dezembro de 2023, a situação voltou a chamar atenção nacional devido ao risco de colapso da Mina 18, localizada na região do Mutange.
O episódio levou a Prefeitura de Maceió a decretar situação de emergência e mobilizou equipes da Defesa Civil para acompanhar a área.
Investigação aponta prejuízos bilionários
As consequências do desastre também chegaram à Justiça. Em 2026, a Justiça Federal em Alagoas aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra a Braskem e outras pessoas investigadas pelo caso.
Um laudo da Polícia Federal estima em cerca de R$ 40 bilhões o prejuízo da União relacionado ao desastre. A Braskem contesta as acusações e afirma que a exploração seguiu as normas e práticas do setor.
O caso permanece entre os maiores desastres socioambientais urbanos do país, com impactos que continuam afetando a população de Maceió anos após o início do afundamento do solo.