- Brasil e Índia firmam parceria para desenvolver foguete orbital capaz de transportar cargas de até 100 kg para órbita baixa.
- Concert Technologies e Skyroot Aerospace combinam tecnologias para reduzir riscos e acelerar desenvolvimento do veículo.
- Projeto utilizará o Centro de Lançamento de Alcântara, que oferece economia de até 30% de combustível devido à localização próxima ao Equador.
- Parceria visa atender demanda por satélites em órbita baixa, com operação comercial prevista para início da década de 2030.
Após décadas de tentativas para desenvolver um veículo lançador próprio, o Brasil deu um novo passo para ampliar sua participação no setor espacial. A empresa brasileira Concert Technologies assinou um acordo com a indiana Skyroot Aerospace para o desenvolvimento conjunto de um foguete orbital capaz de transportar cargas a partir de 100 kg para a órbita baixa da Terra.
Parceria une empresas brasileira e indiana
O acordo reúne o consórcio nacional do Microlançador Brasileiro (MLBR), inicialmente projetado para transportar cargas de até 40 kg, e a Skyroot Aerospace, empresa indiana avaliada em US$ 1,1 bilhão. A companhia asiática alcançou um marco histórico com o voo de seu foguete Vikram-1, em julho de 2026. A parceria busca combinar tecnologias dos dois países e ampliar a capacidade brasileira de desenvolver e lançar foguetes com maior autonomia tecnológica.
Brasil busca superar dificuldades no setor espacial
Embora os programas espaciais do Brasil e da Índia tenham começado em períodos semelhantes, na década de 1960, os países alcançaram resultados diferentes ao longo das últimas décadas. Enquanto a Índia avançou em missões espaciais à Lua e a Marte, o Brasil enfrentou dificuldades relacionadas à descontinuidade de investimentos e à limitação de recursos.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 2003, na Base de Alcântara, no Maranhão, quando um acidente com o Veículo Lançador de Satélites (VLS) provocou a morte de 21 pessoas e representou um dos maiores reveses do programa espacial brasileiro.
O país também enfrentou dificuldades em acordos internacionais, como a parceria com a Ucrânia para a criação da empresa binacional Alcântara Cyclone Space, encerrada sem a realização de lançamentos.
Foguete deve combinar tecnologias dos dois países
A proposta prevê a integração da arquitetura do foguete indiano, já testada em voo, com sistemas de navegação inercial e propulsão desenvolvidos pelo consórcio brasileiro. A iniciativa busca reduzir o tempo de desenvolvimento e os riscos financeiros, além de ampliar a participação nacional no domínio das tecnologias espaciais.
O projeto deverá utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A localização próxima à Linha do Equador oferece uma vantagem operacional: segundo o texto, os lançamentos realizados na região podem economizar até 30% de combustível, devido ao aproveitamento da rotação da Terra.
Empresas apostam no mercado de pequenos satélites
A parceria também mira o crescimento da demanda por pequenos satélites em órbita baixa da Terra (LEO), especialmente aqueles utilizados em grandes constelações. As empresas terão os próximos 24 meses para definir questões como orçamento, formato jurídico da joint venture e divisão das responsabilidades técnicas.
A expectativa é acelerar o desenvolvimento do foguete para que o veículo indo-brasileiro comece a operar comercialmente nos primeiros anos da década de 2030.