SEÇÕES

Brasil corre contra o tempo para atender exigência ambiental da UE

Pecuária brasileira tenta se adaptar às novas regras europeias contra desmatamento

Ver Resumo
  • O Brasil precisa adequar a cadeia produtiva da carne bovina às exigências ambientais da UE até dezembro de 2026.
  • A Regulação Europeia Contra o Desmatamento (EUDR) exige rastreabilidade completa dos animais e comprovação de que os produtos exportados não têm ligação com áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
  • Pequenos produtores são um gargalo na cadeia produtiva, pois ainda enfrentam dificuldades para monitorar toda a cadeia e estão fora dos sistemas de rastreabilidade.
  • A Fundação IDH está trabalhando em parceria com produtores para ampliar a rastreabilidade da pecuária brasileira, incluindo assistência produtiva e implantação de mecanismos de rastreamento.
A identificação animal é extremamente importante na atividade pecuária. I | Foto: Reprodução
Siga-nos no

O Brasil corre contra o tempo para adequar a cadeia produtiva da carne bovina às exigências ambientais da União Europeia (UE). Com a entrada em vigor da Regulação Europeia Contra o Desmatamento (EUDR) prevista para dezembro de 2026, produtores e entidades do setor agropecuário intensificam ações para garantir a rastreabilidade completa dos animais e comprovar que os produtos exportados não têm ligação com áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

A medida ganhou ainda mais importância após a aprovação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio. O tratado amplia oportunidades para o agro brasileiro no mercado europeu, mas exige um rígido controle de origem dos produtos enviados ao bloco.

Pequenos produtores são desafio da cadeia

O Brasil possui o maior rebanho comercial bovino do mundo, com mais de 200 milhões de cabeças de gado, porém ainda enfrenta dificuldades para monitorar toda a cadeia produtiva. O principal gargalo está nas propriedades responsáveis pela cria de bezerros, geralmente pequenos e médios produtores que ainda estão fora dos sistemas de rastreabilidade.

Atualmente, a maior parte do controle se concentra nas fazendas de recria e engorda, que vendem diretamente aos frigoríficos exportadores. A fase inicial da vida do animal, no entanto, ainda apresenta falhas de monitoramento.

Brasil corre contra o tempo para atender exigência ambiental da UE - Foto: Reprodução

Programa tenta ampliar controle no campo

A Fundação IDH, organização civil de origem holandesa voltada à transformação dos mercados agropecuários, atua em parceria com produtores para ampliar a rastreabilidade da pecuária brasileira. O programa começou em Mato Grosso, em 2019, e chegou ao Pará em 2023.

Desde então, mais de 600 produtores de bezerros receberam apoio técnico e outros 600 estão em processo de regularização da atividade. O trabalho inclui assistência produtiva, orientação jurídica, apoio ambiental e implantação dos mecanismos de rastreamento dos animais.

Segundo Manuela Santos, diretora da Fundação IDH no Brasil, o debate sobre rastreabilidade vai além do uso de brincos eletrônicos nos animais.

A obrigatoriedade do brinco é importante, mas não garante o desenvolvimento de uma cadeia íntegra. O problema é estrutural. Precisamos endereçar os gargalos de infraestrutura, regularização e acesso para tornar a produção inclusiva e economicamente viável”, afirmou.

Regularização é etapa essencial

De acordo com a Fundação IDH, a regularização fundiária e ambiental das propriedades é um dos pontos mais importantes para garantir a rastreabilidade exigida pelo mercado europeu. O processo inclui análise de possíveis áreas desmatadas, verificação de autorizações ambientais e adequação das propriedades às normas vigentes.

“A gente entende que, para poder dar escala, precisamos mudar o modelo de assistência técnica conectando com mais soluções digitais”, destacou Manuela Santos.

Mercado europeu pressiona setor pecuário

Outro desafio apontado pela entidade é a falta de incentivo financeiro para produtores que investem em rastreabilidade. Segundo a Fundação IDH, frigoríficos e varejistas costumam valorizar apenas características ligadas à qualidade da carne, como peso e marmoreio, sem oferecer remuneração diferenciada pela origem comprovada do animal.

A expectativa é que o avanço das exigências internacionais aumente a pressão sobre toda a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil. A meta do programa é evitar que pequenos e médios pecuaristas sejam excluídos do mercado global por não conseguirem atender às novas regras ambientais impostas pela União Europeia (UE).

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também