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As novas regras das Testemunhas de Jeová para transfusão de sangue

Testemunhas de Jeová passaram a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos, sendo armazenado e “devolvido”

Transfusão de sangue | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em sua política sobre transfusões de sangue, permitindo que seus integrantes tenham o próprio sangue removido, armazenado e posteriormente reutilizado em procedimentos médicos.

A mudança abre espaço para práticas comoautotransfusão em cirurgias previamente agendadas. Apesar disso, permanece a proibição do uso de sangue doado por terceiros.

“Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”, afirmou Gerrit Losch, um dos principais líderes do grupo.

Doutrina e contexto religioso

As Testemunhas de Jeová são um movimento cristão conhecido pela prática de evangelismo de porta em porta. Segundo seus líderes, o grupo reúne cerca de nove milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.

A recusa às transfusões de sangue é uma das principais doutrinas da religião. De acordo com o site oficial, a interpretação de textos do Antigo e do Novo Testamento orienta os fiéis a “abster-se de sangue”.

“Nossa crença fundamental a respeito da santidade do sangue permanece inalterada”, afirmou um porta-voz após o anúncio da nova política.

Críticas de ex-integrantes

A atualização, no entanto, gerou críticas de ex-membros. O americano Mitch Melon avaliou que a mudança “não vai longe o suficiente”.

Segundo ele, em situações de emergência, como grandes perdas de sangue ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer, a nova diretriz ainda não garante liberdade plena para aceitar transfusões com sangue doado, potencialmente essenciais para salvar vidas.

Se uma Testemunha de Jeová passar por uma emergência médica com perda significativa de sangue, ou se uma criança precisar de múltiplas transfusões para tratar certos tipos de câncer, essa mudança de política não lhes concede total liberdade de consciência para aceitar intervenções potencialmente vitais que envolvam sangue doado.

Decisão judicial recente

Em dezembro do ano passado, um tribunal de Edimburgo, na Escócia, decidiu autorizar a realização de transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos, adepta da religião, caso o procedimento fosse necessário após uma cirurgia.

A jovem havia informado aos médicos que não consentia com a transfusão por motivos religiosos. No entanto, advogados de um conselho de saúde solicitaram autorização judicial para garantir a intervenção em caso de risco à vida.

A ordem foi concedida pela juíza Lady Tait, que considerou a medida necessária para o bem-estar da paciente, “dando o devido peso às suas opiniões”.

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