- A Anvisa autorizou testes clínicos da Vivaxin, primeira vacina brasileira contra malária causada por Plasmodium vivax.
- O imunizante foi desenvolvido por instituições brasileiras e conta com tecnologia 100% nacional.
- Testes envolverão 48 voluntários saudáveis, com três doses aplicadas a intervalos de 28 dias.
- O Ministério da Saúde investirá R$ 12 milhões para financiar as três fases dos ensaios clínicos.
- A Vivaxin busca combater a forma mais comum de malária no Brasil, que dificulta o tratamento e o controle.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, uma vacina desenvolvida no Brasil para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. A autorização representa um avanço científico, já que ainda não existe vacina aprovada para uso na população contra essa espécie do parasita, responsável pela maioria dos casos da doença no país.
O imunizante foi desenvolvido pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália. A tecnologia é considerada 100% nacional.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025. A maior parte das ocorrências está concentrada na região amazônica.
Testes serão realizados com 48 voluntários
A primeira fase dos estudos clínicos contará com 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que não tiveram infecção prévia por malária. O objetivo é avaliar a segurança da vacina, identificar possíveis reações adversas e verificar a capacidade do imunizante de estimular uma resposta do sistema imunológico.
Os participantes serão divididos em grupos que receberão diferentes dosagens da vacina ou placebo. O protocolo prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre as doses, e acompanhamento durante 360 dias.
O estudo será realizado no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
O Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 12 milhões para financiar as três fases dos ensaios clínicos. Caso os resultados iniciais sejam positivos, a pesquisa poderá avançar para as etapas seguintes, que deverão avaliar a eficácia do imunizante e ampliar a análise de segurança.
Vacina busca combater tipo mais comum no Brasil
A malária é uma doença infecciosa transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito do gênero Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. Entre os sintomas mais comuns estão febre, calafrios, dor de cabeça e mal-estar.
O Plasmodium vivax é o parasita responsável pela maioria dos casos registrados nas Américas e em partes da Ásia. Atualmente, as duas vacinas contra malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são direcionadas ao Plasmodium falciparum, predominante na África.
Uma das características do P. vivax é a capacidade de permanecer adormecido no fígado e provocar novos episódios da doença meses após a infecção inicial, o que dificulta o controle e o tratamento.
Apesar do avanço, a Vivaxin ainda está em fase experimental. A autorização da Anvisa permite o início dos testes clínicos, mas não significa que a vacina esteja aprovada para aplicação na população. A conclusão das etapas de pesquisa será necessária para determinar se o imunizante é seguro e eficaz.