- A Anvisa formou maioria para manter suspensas a fabricação e comercialização da Ypê.
- Os diretores da agência consideraram as ações da empresa "insuficientes" e citaram um histórico de contaminação microbiológica.
- A Resolução nº 1.834/2026 volta a valer, mas o processo ainda pode ser interrompido se algum diretor pedir vista do processo.
- A Anvisa identificou bactéria em mais de 100 lotes da Ypê e considera que há risco de contaminação microbiológica.
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária formou maioria nesta sexta-feira (15) para manter suspensas a fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida atinge todos os lotes dos três produtos com numeração final 1.
Nos votos apresentados até o momento, diretores da Anvisa afirmaram que as ações adotadas pela empresa foram consideradas “insuficientes”. Os integrantes da agência também citaram um “histórico recorrente de contaminação microbiológica” e avaliaram que os riscos sanitários identificados ainda não foram superados.
Resolução volta a valer
Com a maioria formada, volta a ter validade a Resolução nº 1.834/2026, publicada em 5 de maio. Durante a sessão, os diretores ressaltaram que a análise atual possui caráter cautelar e que o mérito definitivo do processo administrativo sanitário ainda será julgado futuramente.
Durante o voto, o diretor Thiago Campos afirmou que medidas preventivas são necessárias em casos sanitários.
“Aguardar certeza absoluta do dano, em matéria sanitária, significa agir tardiamente”, declarou.
Processo ainda pode ser interrompido
Apesar da maioria já formada, a análise ainda não foi oficialmente encerrada. Qualquer diretor da Anvisa pode pedir vista do processo, o que interromperia temporariamente a deliberação e adiaria a conclusão para outra reunião da Diretoria Colegiada. A decisão foi baseada em uma avaliação técnica conduzida pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
A apuração ocorreu após inspeção realizada com apoio do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo, município do interior paulista onde está localizada a unidade da Química Amparo, fabricante da Ypê.
Agência identificou bactéria em mais de 100 lotes
Segundo a Anvisa, a fiscalização encontrou falhas relevantes em etapas críticas da produção, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A agência informou ainda que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
De acordo com a Anvisa, os problemas identificados comprometem o cumprimento das chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes. A agência avalia que existe risco de contaminação microbiológica, caracterizada pela presença indesejada de microrganismos capazes de provocar doenças.