O povoado São Sebastião dos Prestos, em Bacabal, no Maranhão vive um clima de comoção com a proximidade do retorno das aulas na comunidade, mas mantém a esperança. A direção da escola reconhece que o reinício das atividades será diferente diante do impacto causado pelo caso das crianças desaparecidas, Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, que estão sumidos há 29 dias.
A única escola da comunidade serve de base de apoio para equipes de buscas e posto de saúde para atender moradores, principalmente, com sintomas de ansiedade. Desde o dia 4 de janeiro, os irmãos Ágatha e Allan seguem desaparecidos. O caso abalou profundamente os moradores, que mantêm a esperança por respostas.
“Todos somos praticamente da mesma família, então não está sendo nada fácil”, relata Mary Jane Frazão, diretora da escola do povoado São Sebastião dos Prestos, localidade onde as crianças desapareceram.
O primo das crianças desaparecidos, Anderson Kauã, de oito anos, foi encontrado quatro dias depois, o que renovou a expectativa por um desfecho positivo nos demais casos. Após ter recebido alta hospitalar, depois de 14 dias internado, o garoto mostrou aos policiais o caminho que percorreu com os primos até uma cabana abandonada, próxima às margens do Rio Mearim.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil e, até o momento, não há pistas sobre o paradeiro das crianças. Uma força-tarefa da segurança pública continua atuando na região com o apoio de cães farejadores e equipamentos tecnológicos.
As buscas também contaram com o reforço do Exército, além da participação da Marinha, ampliando os esforços para localizar as crianças desaparecidas.
Redução do número de agentes na força-tarefa
Após varreduras por terra, água e ar, as equipes reduziram o número de agentes envolvidos nas buscas. Paralelamente, a investigação policial foi intensificada, com o objetivo de levantar novas linhas que possam ajudar a esclarecer o caso.
O desaparecimento mobiliza familiares e autoridades, que continuam trabalhando para localizar as crianças.
Delegado desmente boatos sobre venda de crianças desaparecidas
O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Éderson Martins, disse nessa terça-feira (27) que não procede a informação de que a mãe e o padrasto de Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, teriam vendido as crianças por R$ 35 mil. Circulam nas redes sociais os boatos sobre uma suposta venda dos irmãos desaparecidos em Bacabal, mas a polícia desmente esta versão.
Integrante da força-tarefa que atua no caso, o delegado alertou que a disseminação de notícias falsas tem colocado a família das crianças em situação de risco.
“Essa informação (que as crianças foram vendidas) não procede. Infelizmente, com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco. Todas as informações que chegam estão sendo checadas, e nenhuma linha de investigação é descartada”, afirmou Ederson Martins.
Segundo o delegado, a mãe e o padrasto não são alvo da investigação neste momento, já que não há indícios de que tenham cometido crimes contra os meninos.
Crianças vistas em hotel de São Paulo não são irmãos desaparecidos
A Polícia Civil de São Paulo descartou a informação de que as crianças Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, teriam sido vistas em um hotel no Centro da capital paulista. Equipes foram até o local indicado, mas confirmaram que as crianças encontradas não são as mesmas que estão desaparecidas.
Leia a nota na íntegra da SSP-SP
"A Polícia Civil, por meio da Divisão Antissequestro do DOPE, esclarece que não procede o fato das crianças citadas terem sido encontradas em São Paulo. Os policiais da divisão, cientes da denúncia, foram aos endereços informados e constataram que as crianças ali presentes não são as mesmas que estão desaparecidas".