- A Força Aérea Brasileira acionou o Sistema de Terminação de Voo para interromper o voo do foguete sul-coreano SEBIT após desvio da trajetória.
- O foguete caiu em área marítima de segurança e não houve feridos ou danos às instalações após o acionamento do sistema.
- O FTS é um mecanismo de segurança que interrompe o voo de veículos espaciais fora dos parâmetros planejados para evitar riscos.
- A InnoSpace, empresa sul-coreana, analisará os dados do voo para identificar a causa do desvio e melhorar o SEBIT.
- O lançamento do SEBIT foi a primeira operação em Alcântara após a explosão do HANBIT-Nano em dezembro de 2025.
A Força Aérea Brasileira (FAB) acionou o Sistema de Terminação de Voo (FTS) para interromper de forma controlada o voo de teste do foguete sul-coreano SEBIT, lançado nesta quarta-feira (19) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O mecanismo foi ativado 35 segundos após a decolagem, depois que o veículo apresentou um desvio em relação à trajetória prevista. O foguete caiu dentro de uma área marítima de segurança previamente delimitada e não houve registro de feridos ou danos às instalações.
O que é o FTS?
A sigla FTS vem de Flight Termination System, ou Sistema de Terminação de Voo. Trata-se de um mecanismo de segurança utilizado em operações de lançamento espacial para interromper o voo quando o foguete apresenta um comportamento fora dos parâmetros planejados.
O objetivo é impedir que um veículo que tenha perdido a trajetória prevista continue voando para áreas que possam oferecer risco à população, às equipes envolvidas no lançamento ou às instalações próximas.
No caso do SEBIT, a equipe responsável identificou a necessidade de interromper a missão e acionou remotamente o sistema.
Como funciona?
Quando o FTS é acionado, a propulsão do foguete é interrompida. A estrutura do veículo é então rompida de maneira controlada, permitindo o consumo seguro do combustível que ainda permanece no foguete.
Sem a propulsão necessária para continuar o voo, o veículo perde a capacidade de seguir sua trajetória e cai dentro de uma zona de segurança previamente definida.
Após a interrupção, equipes técnicas isolam a área e iniciam os procedimentos para coleta de informações que possam ajudar a identificar o que provocou o desvio.
A empresa sul-coreana InnoSpace, responsável pelo foguete, informou que os dados obtidos durante o voo serão analisados para auxiliar na investigação.
Responsabilidades
A FAB coordena os procedimentos relacionados à segurança da operação e disponibiliza a infraestrutura necessária para o lançamento no CLA.
Já o desempenho do foguete é de responsabilidade da InnoSpace, conforme as normas estabelecidas pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para operações comerciais.
O lançamento do SEBIT também marcou o primeiro contrato comercial da ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.). A estatal foi criada pelo governo federal em junho de 2025 e atua no desenvolvimento de projetos aeroespaciais e na exploração comercial dos centros de lançamento brasileiros.
Investigação
Em comunicado aos acionistas, o diretor-presidente da InnoSpace, Kim Soo-jong, informou que os dados coletados serão analisados para verificar informações como a altitude alcançada pelo foguete, a distância percorrida e o tempo de duração do voo.
O material também será utilizado para tentar identificar a causa da interrupção da missão.
Segundo a empresa, os resultados da investigação serão incorporados ao desenvolvimento do SEBIT, com o objetivo de orientar eventuais ajustes no veículo e contribuir para a confiabilidade e estabilidade do foguete.
Histórico em Alcântara
O lançamento do SEBIT foi a primeira operação de lançamento em Alcântara desde a explosão do foguete HANBIT-Nano, em dezembro de 2025.
O veículo da InnoSpace havia sido lançado do CLA em 22 de dezembro de 2025, mas apresentou uma anomalia segundos após a decolagem e se desintegrou durante o voo. O acidente não deixou feridos.
A investigação apontou que o problema começou com uma falha de vedação na câmara de combustão. Cerca de 33 segundos após o lançamento, houve vazamento de gases de combustão, provocando a ruptura da estrutura e a perda do foguete.
Novo lançamento
Apesar da interrupção do voo de teste do SEBIT, a InnoSpace informou que mantém os preparativos para uma nova tentativa de lançamento do HANBIT-Nano em novembro de 2026, também a partir de Alcântara.
A data exata ainda depende da conclusão de etapas técnicas, operacionais e regulatórias. As condições meteorológicas e os requisitos de segurança de voo também serão considerados.
Por que Alcântara?
O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) está localizado no litoral do Maranhão e tem como uma de suas principais características a proximidade com a Linha do Equador.
Essa localização permite aproveitar a velocidade de rotação da Terra durante determinados tipos de lançamento, o que pode reduzir a quantidade de combustível necessária para alcançar algumas órbitas.
Além disso, a região permite operações com diferentes inclinações de órbita e possui baixa densidade populacional no entorno do centro de lançamento, característica que contribui para a segurança das atividades espaciais.