A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou a proposta financeira do programa de profissionalização da arbitragem, que estabelece salários fixos mensais entre R$ 10 mil e R$ 22 mil, além de pagamentos por jogo que variam de R$ 2,5 mil a R$ 5,5 mil. O modelo, chamado de Árbitros PRO, entra em vigor a partir de 1º de março e terá duração inicial até dezembro, com adesão de 100% dos 72 árbitros, assistentes e profissionais de VAR selecionados.
De acordo com a proposta, a remuneração mensal depende da categoria do profissional. Árbitros centrais com selo FIFA receberão R$ 22 mil por mês, além de R$ 5,5 mil por partida. Já árbitros centrais do quadro CBF terão salário fixo de R$ 16 mil e R$ 4 mil por jogo.
Assistentes e árbitros de VAR com selo FIFA receberão R$ 13,2 mil mensais, com taxa de R$ 3,3 mil por escala. No nível inicial do programa, árbitros CBF terão salário fixo de R$ 10 mil e pagamento de R$ 2,5 mil por jogo. O contrato também prevê bônus adicionais vinculados ao desempenho técnico.
Benefícios e estrutura de apoio
Além da remuneração direta, a proposta inclui benefícios como auxílio saúde de até R$ 500 mensais, mediante comprovação de gastos com academia, suplementação alimentar e cuidados físicos. Os árbitros também terão acesso a plano de saúde e odontológico com cobertura nacional, estendido aos dependentes.
A CBF se compromete ainda a oferecer suporte contínuo nas áreas de preparação física, psicologia, nutrição, fisioterapia e capacitação técnica, além de encontros presenciais e uso de equipamentos tecnológicos para avaliação de desempenho.
Cláusulas anticorrupção e apostas
O contrato impõe regras rígidas de integridade. Há proibição absoluta de qualquer envolvimento com apostas esportivas, incluindo participação de sócios ou parentes de primeiro grau. Todos os árbitros precisam apresentar um Certificado de Exclusão do CPF em sites de apostas, emitido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O documento também estabelece cláusula de confidencialidade válida durante o contrato e por até 10 anos após o término. Em caso de violação, a multa prevista é de até dez vezes o valor da remuneração fixa mensal.
Modelo contratual e exigências
O vínculo será firmado por meio de contrato de prestação de serviços como Pessoa Jurídica (PJ), sem criação de vínculo empregatício. A proposta prevê autonomia técnica, previsibilidade contratual e critérios objetivos de avaliação, com o objetivo de elevar o padrão da arbitragem e reduzir a informalidade.
Os árbitros deverão manter conduta ética, imparcialidade e independência, além de se submeter a avaliações físicas e técnicas periódicas, com intervalo mínimo de 30 dias. A recusa de escalas é permitida, mas o contrato reforça a expectativa de prioridade às designações da CBF.
Prazo e possibilidade de rescisão
O primeiro contrato terá vigência de dez meses, entre março e dezembro, com extinção automática ao fim do período e possibilidade de renovação por decisão da CBF. A rescisão imediata poderá ocorrer em casos de conduta antiética, violação de imparcialidade, baixo desempenho recorrente ou reprovação em dois testes físicos consecutivos.
Com a proposta, a CBF busca estabelecer um novo padrão de profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro, com foco em remuneração fixa, controle de integridade e acompanhamento técnico permanente.