- A SAF do Botafogo entrou em recuperação judicial após decisão da 2ª Vara Empresarial do Rio.
- O clube tem dívidas bilionárias e crise de caixa, com R$ 1,286 bilhão em dívidas sujeitas à recuperação judicial.
- A SAF critica a gestão de John Textor e acusa a Eagle Football de descapitalização, afirmando que mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao clube.
- A nova diretoria assume em meio à reorganização financeira do clube, com Eduardo Iglesias como novo diretor-geral.
A SAF do Botafogo entrou oficialmente em recuperação judicial. A decisão foi tomada pela 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, em despacho do juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, que deferiu o pedido protocolado pelo clube nesta quinta-feira (14). Na decisão, o magistrado autorizou o processamento da recuperação judicial e deu início formal ao procedimento. “Por tais fundamentos, defiro a emenda da inicial e o processamento da recuperação judicial do requerente”, diz trecho da decisão. A SAF é representada pelos escritórios Salomão Advogados, Basilio Advogados e Fux Advogados. Na petição apresentada à Justiça, a SAF Botafogo informou que possui cerca de R$ 1,286 bilhão em dívidas sujeitas à recuperação judicial. O passivo total supera R$ 2,5 bilhões, incluindo aproximadamente R$ 400 milhões em débitos tributários, embora parte dessas obrigações não possa ser renegociada dentro do processo. Em nota oficial, o clube afirmou que a decisão foi motivada pelo “grave cenário financeiro” enfrentado pela companhia, agravado por bloqueios judiciais, restrições de caixa, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e riscos ligados a transfer bans impostos pela FIFA. Segundo o Botafogo, a recuperação judicial busca garantir maior estabilidade financeira e jurídica para renegociar débitos com credores, investidores e parceiros estratégicos, além de preservar a continuidade do projeto esportivo. O clube também destacou que a medida se tornou necessária após a própria Fifa informar que a tutela cautelar obtida anteriormente não produzia os mesmos efeitos jurídicos de uma recuperação judicial formal. A nota divulgada pelo clube marcou a primeira crítica pública direta à gestão de John Textor, ex-controlador da SAF alvinegra. Segundo o comunicado, a administração anterior demonstrou “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da companhia. Textor está afastado da gestão da SAF desde 23 de abril, por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV). O Botafogo também direcionou críticas à Eagle Football, acionista majoritária da SAF. De acordo com o clube, a empresa promoveu um “forte processo de descapitalização” dentro da estrutura do grupo. A SAF afirma que mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, enquanto o clube teria deixado de receber aportes considerados essenciais para manter suas atividades e competitividade esportiva. O comunicado ainda cita que outros ativos do grupo receberam investimentos significativos recentemente, incluindo cerca de US$ 90 milhões destinados ao Olympique Lyonnais, enquanto o Botafogo teria permanecido sem injeções relevantes de recursos por mais de um ano. Segundo a SAF, a Eagle Football e seus representantes tinham conhecimento da deterioração financeira enfrentada pelo clube. Também nesta quinta-feira, durante Assembleia Geral Extraordinária, a SAF Botafogo anunciou Eduardo Iglesias como novo diretor-geral da companhia. Ele substitui Durcesio Mello, que ocupava o cargo interinamente após o afastamento de John Textor. A diretoria afirma que a recuperação judicial representa uma nova etapa de reorganização financeira, com supervisão judicial e elaboração de um plano de reequilíbrio econômico que será submetido aos credores nos próximos passos do processo.SAF aponta dívida bilionária e crise de caixa
Botafogo critica gestão de John Textor
Clube acusa Eagle de descapitalização
Nova diretoria assume em meio à reorganização