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Sindicato do futebol pede ao STF suspensão da MP das bets ou transição

Sinafut quer manter plataformas até análise do Congresso ou, alternativamente, garantir prazo de até seis meses para encerramento

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  • Sinafut pede suspensão da MP que proíbe apostas no Brasil até análise do Congresso ou julgamento no STF.
  • Entidade solicita transição de até seis meses para encerramento das plataformas, evitando impactos em contratos e receitas.
  • Sinafut argumenta que a interrupção imediata afetaria orçamentos e compromissos assumidos pelos clubes.
  • Entidade defende que a saída das empresas reguladas retiraria mecanismos de fiscalização e combate à manipulação de resultados.
  • MP assinada por Lula determina fim das apostas de quota fixa e estabelece regras para encerramento das plataformas.
Sindicato do futebol pede ao STF suspensão da MP das bets ou transição | Foto: Reprodução
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O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da medida provisória que proibiu as bets no Brasil, até que o Congresso Nacional analise a norma ou até o julgamento definitivo das ações sobre o tema na Corte. A entidade também solicitou, como alternativa, a criação de um período de transição de até seis meses para o encerramento das plataformas, alegando impactos sobre contratos de patrocínio e mecanismos de monitoramento de apostas no futebol. A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25).

Entidade quer atuar no processo

O pedido foi apresentado pelo Sinafut para que a entidade seja habilitada como amicus curiae, expressão usada para identificar instituições autorizadas a contribuir com informações e argumentos em processos de interesse público.

A ação é relatada pelo ministro Luiz Fux, que também é relator dos processos que discutem a regulamentação das apostas de quota fixa no STF. A Corte já indicou que deverá analisar o tema no segundo semestre de 2026.

O sindicato afirma ter legitimidade para representar federações, clubes e atletas profissionais de futebol e sustenta que a mudança interfere diretamente no planejamento financeiro das entidades esportivas.

Transição até o fim da temporada

Além da suspensão imediata da MP, o Sinafut pede que, caso o STF não acolha esse pedido, seja estabelecida uma regra de transição.

A proposta principal é permitir que as bets permaneçam em funcionamento por até seis meses. O sindicato também defende, no mínimo, que o prazo seja estendido até o fim da temporada esportiva de 2026, em 31 de dezembro.

Segundo a entidade, o período seria necessário para preservar contratos já firmados envolvendo patrocínios, naming rights, publicidade, direitos de transmissão e repasses legais destinados ao esporte.

O Sinafut argumenta que clubes de futebol já elaboraram seus orçamentos considerando receitas provenientes de contratos com empresas de apostas e que a interrupção imediata poderia afetar compromissos assumidos para a atual temporada.

Sindicato cita combate à manipulação

Outro argumento apresentado no pedido ao STF envolve o monitoramento das apostas e o combate à manipulação de resultados.

Segundo o Sinafut, a saída das empresas autorizadas do mercado regulado poderia retirar mecanismos de fiscalização e comunicação que atualmente são exigidos das plataformas legalizadas.

“Cessada a autorização, cessam também os deveres de monitoramento e comunicação, ao passo que as apostas sobre o futebol brasileiro prosseguirão em plataformas sem qualquer sujeição a esses deveres. (…) Retirar do jogo o mercado regulado, sem que o Estado disponha de estrutura para conter o mercado ilegal, enfraquece a detecção justamente onde ela é mais necessária”, diz o sindicato.

Na avaliação apresentada pela entidade ao Supremo, o período previsto para o encerramento das operações coincide com a reta final das competições nacionais e com as decisões dos campeonatos estaduais, período em que os contratos de exposição de marcas e receitas publicitárias teriam maior peso para os clubes.

“O prazo de 5 de outubro de 2026 recai sobre a reta final das competições nacionais e as decisões estaduais, quando a exposição de marca e a monetização contratual são máximas. Os orçamentos de 2027 e os campeonatos estaduais, que se iniciam em janeiro, estão sendo definidos agora. Uma transição que alcance o encerramento da temporada de 2026 é o mínimo compatível com o planejamento esportivo”, continua.

MP proibiu bets no país

A medida provisória assinada por Lula na sexta-feira (25) determinou o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A norma também estabelece regras para o encerramento das plataformas e a devolução dos valores que permanecerem nas contas dos apostadores.

A publicação da MP provocou reação de entidades ligadas ao setor. Nesta segunda-feira (28), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) também acionaram o STF e pediram a suspensão da medida, com argumento alternativo de prazo para encerramento das operações.

Quem comanda o Sinafut

O Sinafut foi comandado durante 21 anos por Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras. Atualmente, a entidade é presidida por Gustavo Oliveira Vieira, ligado à federação capixaba.

A diretoria do sindicato também conta com dois vice-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A atuação do Sinafut em discussões jurídicas relacionadas ao futebol não é inédita: a entidade já participou de processos no STF envolvendo normas de organização e gestão do futebol profissional.

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