- Botafogo sofreu derrota de 6 a 1 pelo Cienciano em Cusco, na Copa Sul-Americana, complicando sua caminhada nas quartas de final.
- Resultado expôs desorganização defensiva e dificuldades na transição do Botafogo, que não controlou os espaços diante do adversário.
- Time precisará vencer por seis gols na próxima quinta-feira no Nilton Santos para avançar, caso contrário a decisão será nos pênaltis.
- Escalada tática do Botafogo foi questionada, com falhas na marcação e exposição de jogadores, permitindo que o Cienciano dominasse a partida.
- Goleada reforça a instabilidade do clube, que enfrenta uma missão quase impossível para se classificar na competição sul-americana.
O Botafogo sofreu uma das derrotas mais pesadas de sua história recente justamente na semana em que celebra os 122 anos de futebol do clube. O Alvinegro foi goleado por 6 a 1 pelo Cienciano, nesta quinta-feira (13), em Cusco, no Peru, e ficou muito perto da eliminação na Copa Sul-Americana.
De acordo com o jornalista Leonardo Bessa, setorista do Botafogo, o resultado também expôs problemas que vão além da altitude de cerca de 3.500 metros. Desorganização defensiva, espaços entre os setores e dificuldades na transição marcaram a atuação do Glorioso diante de um adversário que soube aproveitar as oportunidades.
Para avançar às quartas de final, o Botafogo precisará vencer por seis gols de diferença na próxima quinta-feira (20), no Nilton Santos. Uma vitória por cinco gols leva a decisão para os pênaltis.
Uma goleada que vai além do placar
A goleada coloca o Botafogo diante de um cenário complicado em uma temporada já marcada por instabilidade. A Sul-Americana aparecia como uma das competições com caminho mais acessível para o clube buscar um título, mas a atuação em Cusco transformou a classificação em uma missão praticamente impossível.
O problema não esteve apenas no placar. Desde o início, o Botafogo apresentou dificuldades para controlar os espaços e sofreu com a pressão do Cienciano.
Mesmo atuando na altitude, o time não conseguiu adotar uma postura mais compacta. Pelo contrário: ofereceu espaços e permitiu que os donos da casa encontrassem caminhos para chegar ao gol.
Franclim Carvalho em ação em Cienciano x Botafogo | Foto: Vítor Silva/Botafogo
Botafogo fica exposto em Cusco
A escalação também levantou dúvidas. Franclim Carvalho modificou o time em diferentes setores, tanto nas peças quanto na estrutura tática.
A tentativa de atuar com três volantes (Huguinho, Medina e Danilo) não funcionou como esperado. Apenas Huguinho exerceu de forma mais clara a função de combate, enquanto a equipe encontrou dificuldades para proteger a defesa e organizar a transição para o ataque.
Pelo lado esquerdo, Marçal, de 37 anos, ficou exposto em alguns momentos pela falta de cobertura. Álvaro Montoro, responsável por atuar mais à frente, não ofereceu a proteção necessária.
A linha defensiva também sofreu com os espaços à sua frente. O Cienciano encontrou liberdade para construir jogadas e explorar a desorganização do Botafogo.
Falhas se repetem e Cienciano aproveita
Houve tempo para o Botafogo tentar corrigir os problemas, mas a equipe não conseguiu mudar o cenário. A pressão aumentou, e o Cienciano passou a encontrar ainda mais espaços.
Os primeiros gols nasceram justamente de problemas de marcação e posicionamento. No segundo, os jogadores do Botafogo ainda reclamaram de um possível toque na mão de Bandiera.
No terceiro, Warleson falhou, enquanto o quarto gol veio em um belo chute de Martinich.
Mesmo quando o Botafogo conseguiu descontar com Matheus Martins, a equipe não encontrou estabilidade. O time continuou avançando ao ataque de maneira desorganizada e deixando espaços para os contra-ataques.
O Cienciano aproveitou. O quinto e o sexto gols surgiram na sequência desse cenário: o Botafogo tentava atacar, perdia a bola e oferecia campo para os peruanos.
Ao final, o Cienciano terminou com 26 finalizações, sendo dez no alvo, contra apenas cinco do Botafogo.
Missão quase impossível no Nilton Santos
O tamanho da goleada torna a situação do Botafogo ainda mais delicada. Se tivesse perdido por três gols, por exemplo, o confronto ainda estaria aberto para uma reação no Rio de Janeiro.
Agora, o Glorioso precisa de uma vitória por seis gols de diferença para avançar diretamente às quartas de final. Caso vença por cinco gols, a vaga será decidida nos pênaltis.
Mais do que a vantagem construída pelo Cienciano, porém, a partida deixa um alerta para o Botafogo. A equipe não apenas perdeu por uma diferença expressiva: mostrou dificuldades para entender e controlar o jogo, sofreu com a desorganização e permitiu que um adversário considerado inferior em investimento e qualidade do elenco dominasse a partida.
Em Cusco, o Cienciano não apenas abriu uma enorme vantagem. Também expôs problemas que o Botafogo precisará corrigir rapidamente, caso ainda queira transformar uma noite de vexame em uma reação histórica no Nilton Santos.