- Luan Santos afirma ter feito tudo para ficar no São Paulo, mas conflitos de renovação e empréstimo o fizeram deixar o clube.
- O volante atribui sua depressão ao treinar separado do grupo e à relação prejudicada com a torcida por questões internas.
- Após renovação de contrato, Luan foi afastado e emprestado, o que gerou conflito emocional e desgaste físico.
- Ele relata que treinar em horário diferente dos companheiros foi a maior dor e contribuiu para imagem negativa perante a torcida.
- Luan afirma não ter mágoas e não se arrepender da decisão de permanecer no clube, mesmo com desafios enfrentados.
O ex-volante do São Paulo, Luan Santos, afirmou em entrevista que fez tudo para ficar no time, mas conflitos de renovação e empréstimo com a diretoria o fizeram encerrar o ciclo. O atleta também atribuiu ao quadro depressivo que desenvolveu por treinar separado do resto da equipe.
Treinar separado foi o que despertou a depressão. Eu entrei com 11 anos, fui campeão, fiz gol em final, ajudei. Não era nenhum Rogério Ceni, Kaká, Luís Fabiano, Lugano, esses caras que são ídolos, mas de alguma forma ajudei a quebrar um tabu de anos. E o mínimo que eu pedia era continuar treinando com o grupo. Eu não ia atrapalhar em nada, todo mundo sabia do meu comprometimento. Só precisava estar no grupo, afirmou em entrevista ao GE.
O jogador diz também ter sido chamado de “mercenário” e ter tido a relação com a torcida prejudicada devido a questões internas que influenciaram no seu desenvolvimento.
Fiz de tudo para ficar no São Paulo. Fui chamado de mercenário e não era. Renovei por três anos e nos três quiseram me emprestar. Nos três me colocaram para treinar separado. Não o São Paulo, mas pessoas que trabalharam lá, que inclusive não estão lá mais. Não tenho mágoas, não. Fiz de coração, não me arrependo. Eu falei na minha despedida: teve vezes que preferi treinar separado do que ser emprestado para outro clube. Isso diz muito do amor que tenho pela camisa.
Após enfrentar uma sequência de lesões entre 2021 e 2022, Luan tinha vínculo com o clube somente até o fim de 2023. Sem chegar a um acordo para renovar o contrato, o volante deixou de ser utilizado. Em maio daquele ano, porém, recusou propostas de equipes rivais e estendeu seu vínculo até dezembro de 2026.
Apesar da renovação, a situação do jogador mudou pouco tempo depois. Segundo ele, no mês seguinte, foi comunicado de que não fazia parte dos planos da equipe e seria emprestado. Mesmo após rejeitar ofertas melhores para permanecer no clube, passou a treinar separado, junto ao terceiro time.
Tem algo que nunca falei: no mês seguinte da minha renovação, me chamaram para falar que eu não iria jogar, que iriam me emprestar. Eu tinha rejeitado propostas melhores para ficar e reforcei que não queria sair. Então, começaram a me deixar de fora, separado, no terceiro time.
A BUSCA POR ESPAÇO
Naquele ano, Luan decidiu continuar trabalhando para recuperar espaço no elenco. O volante voltou a ser relacionado, disputou algumas partidas e integrou o grupo campeão da Copa do Brasil. Em 2024, entretanto, recebeu novamente a informação de que não estava nos planos do clube e acabou emprestado ao Vitória. Já em 2025, voltou a ser comunicado de que estava fora dos planos, mas, dessa vez, optou por não sair.
Nunca falei sobre isso, mas foi difícil de entender. Eu não tinha renovado e eles me afastaram. Eu renovo e eles me reintegram. Um mês depois, avisam que vou ser emprestado. A partir dali, entendi que ia ser uma guerra. Não do Luan para estar bem física e mentalmente. Eu sabia que ia ser uma guerra fora de campo.
O volante também relatou o impacto emocional de ter que treinar em horários diferentes dos companheiros. Para ele, o afastamento contribuiu para a construção de uma imagem negativa perante a torcida, que passou a questionar seu comprometimento com o clube após a renovação contratual.
Treinar em horário alternativo dos meus companheiros era a pior coisa do mundo para mim. Era o que mais me machucava ter que passar por aquilo. A torcida ficou com a imagem de que fiquei três anos lá comendo, bebendo e roubando o clube. Sei que depois da renovação, minha relação com a torcida mudou muito, acharam que fiz corpo mole, queria dinheiro e pegaram birra, mas não foi isso.