- Marc Cucurella deixa cabelo solto para facilitar reconhecimento de seu filho autista em campo.
- Diagnóstico de autismo de Mateo mudou vida da família e prioridades de Cucurella.
- Família buscou compreender necessidades de Mateo, que é criança não verbal.
- Cucurella prioriza escolas e terapia adequadas para filho antes de transferências.
- Visual de Cucurella se tornou símbolo de afeto e conscientização sobre autismo.
O cabelo cacheado e sempre solto de Marc Cucurella se tornou uma das marcas registradas da Copa do Mundo de 2026. Após o título da Espanha, conquistado na final contra a Argentina, uma história envolvendo o visual do lateral viralizou nas redes sociais: a de que ele nunca prende os cabelos para que seu filho mais velho, Mateo, que é autista, consiga reconhecê-lo facilmente em campo.
Embora esse motivo específico tenha se espalhado pela internet sem confirmação oficial, Cucurella já falou diversas vezes sobre a relação com o filho e sobre como o diagnóstico de autismo transformou completamente sua vida.
"Tenho um filho autista. Se pudesse escolher, abriria mão de todo o dinheiro para que meu filho fosse saudável. Deixo meu cabelo crescer porque ele gosta. E também porque, se um dia ele me esquecer, talvez ainda consiga me reconhecer por causa dele."
diagnóstico que mudou a família
Cucurella e a esposa, Claudia Rodríguez, são pais de três filhos: Mateo, Rio e Bella. Os primeiros sinais de que algo era diferente surgiram quando Mateo tinha cerca de 13 meses. Segundo a família, ele não respondia ao próprio nome, evitava contato visual e apresentava atraso no desenvolvimento da fala.
No início, o casal acreditou que fosse apenas uma fase do crescimento. Em determinado momento, médicos chegaram a suspeitar que infecções frequentes no ouvido estivessem prejudicando a audição da criança. Somente depois veio o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA).
No documentário Married to the Game, Claudia relembrou o impacto daquele período.
"Todo dia, íamos juntos deixar o Mateo, e eu ainda estava grávida do Rio. Voltávamos chorando."
Já o jogador resumiu o sentimento vivido pela família:
"Ok, seu filho é autista, mas os pais não estão preparados para isso. Então, precisamos aprender muito."
Aprendizado e novas prioridades
Após o diagnóstico, Cucurella contou que buscou entender melhor o universo do autismo. Ele passou a ler livros, conversar com médicos, psicólogos e pessoas autistas para compreender as necessidades do filho.
"Quando você tem um filho com autismo, você precisa aprender a entendê-lo. Eles não vivem as coisas da mesma forma que outras crianças. Às vezes, você vê que ele não está bem e não sabe como ajudar."
Mateo é uma criança não verbal, mas, segundo os pais, isso não significa ausência de comunicação. Com o tempo, a família aprendeu a interpretar seus gestos, comportamentos e necessidades, comemorando cada conquista como um grande avanço.
Em entrevista ao jornal espanhol El País durante a Copa do Mundo, o defensor afirmou que a maior dificuldade após o diagnóstico foi justamente descobrir como poderia ajudar o filho.
Futebol passou a ficar em segundo plano
A experiência também mudou a forma como Cucurella encara a própria carreira. O lateral revelou que, antes de aceitar qualquer proposta de transferência, avalia se a cidade oferece escolas especializadas e serviços de terapia adequados para Mateo.
Ao compartilhar publicamente sua experiência, o campeão do mundo contribuiu para ampliar a visibilidade sobre o autismo e a realidade vivida por milhares de famílias. E, mesmo que a história dos cachos tenha ganhado diferentes versões nas redes sociais, o carinho demonstrado pelo jogador ao falar do filho acabou transformando seu visual em um símbolo de afeto, inclusão e conscientização.