A Fórmula 1 anunciou neste sábado (14) o cancelamento dos Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para abril, devido à escalada da guerra no Oriente Médio. A decisão foi tomada em conjunto com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e os promotores locais.
Segundo comunicado oficial divulgado pela categoria, controlada pela Liberty Media, as corridas não serão substituídas no calendário do próximo mês. Com isso, a temporada de 2026 pode ser reduzida de 24 para 22 etapas.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, também é improvável que as provas sejam remarcadas ainda neste ano, principalmente por questões logísticas e climáticas.
“Embora tenha sido uma decisão difícil de tomar, infelizmente é a correta neste momento, considerando a situação atual no Oriente Médio”, afirmou o CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali.
Etapas ocorreriam em abril
O GP do Bahrein seria disputado no dia 12 de abril no Circuito Internacional de Sakhir, enquanto o GP da Arábia Saudita estava marcado para o fim de semana seguinte, no Jeddah Corniche Circuit, em Jeddah. Ambas as corridas são tradicionalmente realizadas à noite, sob iluminação artificial.
O cancelamento ocorre em meio ao aumento das tensões após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em resposta, drones e mísseis iranianos atingiram diversas cidades da região, incluindo Manama, onde equipes da Fórmula 1 costumam se hospedar durante o evento.
Além disso, aeroportos foram fechados na região e há temores de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o comércio global.
Logística inviabilizou manutenção das corridas
Outro fator decisivo foi o prazo logístico para envio dos equipamentos das equipes. As cargas destinadas ao Bahrein deveriam ser despachadas até o dia 20 de março, segundo fontes ligadas à organização do campeonato.
Atualmente, a Fórmula 1 disputa uma etapa em Xangai. O próximo destino do calendário será o Japão, com corrida marcada para 29 de março, antes da etapa em Miami, prevista para 3 de maio.
A FIA informou que chegou a analisar possíveis circuitos alternativos, mas optou por deixar o mês de abril sem corridas.
“A FIA sempre colocará a segurança e o bem-estar da nossa comunidade em primeiro lugar”, afirmou o presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem.
Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita estão entre os eventos mais lucrativos da temporada. Apenas a taxa paga pelo Bahrein para sediar a corrida é estimada em cerca de US$ 45 milhões por ano, enquanto o valor pago pela Arábia Saudita é considerado ainda maior.
Esta é a segunda vez que o GP do Bahrein é cancelado. Em 2011, a prova não foi realizada devido a protestos e agitação civil no país.
O circuito de Jeddah também já enfrentou riscos de cancelamento em 2022, após ataques de mísseis e drones de rebeldes houthis do Iêmen contra uma instalação petrolífera próxima ao circuito.
Além de sediar corridas, os países da região também são grandes investidores no esporte. O fundo soberano do Bahrein, Mumtalakat, é proprietário da equipe McLaren, enquanto a petrolífera Aramco é patrocinadora principal da Aston Martin.