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Bastidores revelam motivos que levaram o São Paulo a demitir Hernán Crespo

Diretoria apontou escolhas controversas, declarações pessimistas e trabalho no CT

Veja os motivos da demissão de Hernan Crespo no São Paulo | Foto: Marcos Ribolli
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O São Paulo anunciou nesta segunda-feira (9) a demissão do técnico Hernán Crespo, decisão que surpreendeu parte da torcida, mas que vinha sendo amadurecida internamente nas últimas semanas. Entre os fatores que motivaram a saída estão decisões táticas em jogos decisivos, desgaste com o elenco, declarações consideradas pessimistas e insatisfação da diretoria com o dia a dia de trabalho no CT da Barra Funda.

Apesar do bom início no Campeonato Brasileiro, com 10 pontos conquistados nas quatro primeiras rodadas, a relação entre treinador e diretoria já vinha sendo desgastada desde episódios ocorridos ainda na temporada passada.

Hernán Crespo em Palmeiras x São Paulo pela semifinal do Campeonato Paulista - Foto: JHONY INACIO/Gazeta Press 

Decisões contestadas

Um dos primeiros episódios que gerou insatisfação ocorreu na eliminação do São Paulo para o Athletico nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2025. Na ocasião, mesmo após vencer o jogo de ida por 2 a 1 no Morumbi, o treinador optou por tirar do time titular dois jogadores importantes naquele momento: o volante Marcos Antônio e o atacante André Silva.

Sem um centroavante de origem em campo, o Tricolor acabou derrotado por 1 a 0 no tempo normal. A disputa de pênaltis também gerou críticas internas, já que os três primeiros cobradores eram reservas — Sabino, Tapia e o goleiro Jandrei,  e todos desperdiçaram suas cobranças.

Internamente, o episódio foi considerado o primeiro grande desgaste entre Crespo e a diretoria, que passou a questionar algumas escolhas do treinador em momentos decisivos.

Semifinal do Paulista

Outro momento que ampliou a insatisfação ocorreu na semifinal do Campeonato Paulista de 2026 contra o Palmeiras. Crespo optou por escalar o volante Luan como titular, deixando no banco Danielzinho, que vinha sendo um dos destaques da equipe na temporada.

Após a eliminação, o treinador explicou a decisão em entrevista coletiva:

Escolha foi pelo Luan em cima das características do rival, que joga na bola longa e precisávamos de um jogador fisicamente como o Luan. Pessoalmente, acho que deu certo. Eles tiveram dificuldades. Mas depois o jogo muda. Tivemos que arriscar com Danielzinho porque o jogo precisava de outra coisa.”

Mesmo com a justificativa, a escolha foi vista internamente como uma aposta equivocada em um jogo decisivo, aumentando o desgaste entre comissão técnica e dirigentes.

Declarações e clima interno

Outro ponto que incomodou dirigentes foi o tom considerado pessimista de algumas declarações públicas de Crespo. Após derrota para o Palmeiras por 3 a 1 no Paulistão, o treinador mencionou a meta de alcançar 45 pontos no Campeonato Brasileiro, número normalmente associado à luta contra o rebaixamento.

Na ocasião, ele afirmou:

Estamos preocupados... Temos futuro. Mas o futuro, como eu falei, o Brasileirão, 45 pontos. Esse é o futuro.”

A declaração foi mal recebida internamente, já que a avaliação da diretoria era de que o elenco não estava em situação de risco de queda, e que esse tipo de discurso poderia transmitir insegurança ao grupo.

Hernan Crespo, durante passagem pelo São Paulo - Foto: Mauro Horita

Folga e desgaste final

O episódio considerado a “gota d’água” ocorreu após a eliminação para o Palmeiras no estadual. Após a partida, Crespo concedeu três dias e meio de folga ao elenco, decisão que irritou dirigentes.

No dia seguinte, executivos do clube foram ao CT da Barra Funda para conversar com a comissão técnica, mas não encontraram nenhum integrante da equipe de Crespo no local. Além disso, o treinador viajou para a Argentina logo após a eliminação, o que também gerou desconforto interno.

Somados aos problemas de relacionamento com alguns jogadores experientes e à avaliação negativa sobre o trabalho nos treinamentos, esses fatores levaram o São Paulo a optar pela demissão do treinador argentino.

Passagem pelo clube

A segunda passagem de Crespo começou em julho de 2025, em meio à luta do São Paulo contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Desde então, o treinador comandou o clube em 46 partidas, com 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas.

Somando suas duas passagens pelo Tricolor, Crespo acumulou 99 jogos, com 45 vitórias, 26 empates e 28 derrotas, além da conquista do Campeonato Paulista de 2021, que encerrou um longo jejum de títulos estaduais do clube.

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