O nome de Eliza Samudio, morta em 2010, voltou a ganhar força nas redes sociais nesta segunda-feira (5/1) após o portal LeoDias noticiar, com exclusividade, a descoberta de um passaporte antigo em nome da modelo em uma residência localizada em Portugal. O documento foi encontrado no fim de 2025, deixado ou esquecido entre livros em um apartamento alugado, e acabou reacendendo discussões, teorias e especulações na internet.
O passaporte foi localizado por um homem que mora no imóvel e procurou a equipe do portal LeoDias após reconhecer o nome e a imagem no documento. Segundo o relato, o material estava visível, sobre um livro em uma estante da área compartilhada do apartamento. O documento possui apenas um registro de entrada, datado de 5 de maio de 2007, sem marcação de saída, e todas as páginas estão intactas. Após o achado, o passaporte foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que comunicou oficialmente o Itamaraty e aguarda orientações sobre os próximos passos.
O IRMÃO
Diante da repercussão e das teorias levantadas nas redes sociais, Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio, de 27 anos, decidiu se manifestar. Em entrevista ao jornal O Tempo, ele afirmou que o episódio mexeu profundamente com seu emocional e trouxe à tona novamente a dor do caso.
O irmão também afirmou não saber como o documento foi parar em uma casa alugada em Portugal nem por que a descoberta só veio a público agora. “O motivo de ele estar guardado naquela casa e só agora ser divulgado também precisa ser apurado”, pontuou.
Apesar das especulações que surgiram na internet, Arlie disse não acreditar na teoria de que Eliza esteja viva e morando na Europa. Para ele, os fatos apurados durante as investigações que apontaram o envolvimento do ex-goleiro Bruno na morte da irmã são consistentes. Ainda assim, reforçou que qualquer conclusão deve partir das autoridades.
“Seria bom se realmente ela estivesse viva, mas temos que esperar para saber o que aconteceu, aguardar as autoridades darem esse veredito pra gente. A gente torce, mas, pelos fatos que foram passados na época, acho difícil de ser verdade”, afirmou.
Na entrevista, Arlie também falou sobre a relação que teve com a irmã. Segundo ele, os dois conviveram pouco tempo juntos, em Campo Grande (MS), quando ele tinha apenas 1 ano e Eliza, 14. Depois disso, ela voltou a morar com o pai, em Foz do Iguaçu (PR). O último contato entre os dois aconteceu anos depois, quando Eliza já vivia em São Paulo. “Foi a última vez que tenho recordação de a gente se encontrar”, contou.
Relembre o caso
Eliza Samudio desapareceu em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, após relatar a amigos que faria uma viagem. À época, ela mantinha um relacionamento conturbado com o então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, com quem teve um filho. Desde então, seu corpo nunca foi encontrado, o que transformou o caso em um dos mais emblemáticos da história recente do país.
Com a repercussão do achado do passaporte, muitas teorias passaram a circular nas redes sociais. No entanto, é fundamental observar as datas: o único registro de entrada do documento é de maio de 2007, enquanto Eliza desapareceu em junho de 2010, quase três anos depois. Antes de desaparecer, ela participou de entrevistas e reportagens em programas de televisão, semanas e meses antes do crime. O achado do passaporte precisa, sim, ser investigado com rigor, mas é necessário cuidado com conclusões precipitadas, o documento pode não ter qualquer relação direta com o desaparecimento.