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'A Morte do Demônio: Em Chamas' toca feridas humanas com brutalidade sobrenatural

Novo filme revisita o passado da franquia ao mesmo tempo em que conta uma nova história visceral

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  • Novo filme da franquia A Morte do Demônio estreia em cinemas brasileiros após o remake de 2013.
  • Sébastien Vaniček dirige e roteiriza filme que revisita a série e apresenta nova história de possessões demoníacas.
  • Trama centra-se em uma mulher que se vê envolvida em uma família amaldiçoada após a morte do marido.
  • Longa aborda traumas e emoções humanas, mantendo coerência com a mitologia da franquia.
  • Críticas destacam bons momentos de direção e roteiro, mas apontam falhas na montagem e uso de humor.

Texto por: Wellington Vilarinho

Estreou na última quinta-feira (09) o mais novo filme da franquia A Morte do Demônio, clássica série de terror iniciada em 1981 pelas mãos do mestre do horror Sam Raimi. Sendo o terceiro filme após o remake de 2013, dirigido por Fede Alvarez, que trouxe de volta às telonas as sequências alucinantes de possessões demoníacas e reviveu a franquia no imaginário dos amantes do gênero, A Morte do Demônio: Em Chamas, dirigido e roteirizado pelo francês Sébastien Vaniček, revisita o passado da série ao mesmo tempo em que conta uma nova história visceral.

A narrativa repete uma fórmula que já vimos outras vezes no cinema: a da garota inocente, personificada pela atriz Souheila Yacoub, que, por um acaso do destino ou por uma sequência de escolhas ruins, torna-se parte de uma família, aqui, literalmente, amaldiçoada. Na trama, após a morte trágica do marido, ela se vê enclausurada em uma casa isolada, onde a família do falecido passa a ser atormentada por demônios despertados pelo Livro dos Mortos. Apesar de ser o terceiro diretor a emprestar sua visão à franquia desde o remake de 2013, Sébastien Vaniček preserva elementos narrativos que mantêm a série coerente e coesa em sua proposta, acrescentando novos aspectos à mitologia que sustenta a história, ao mesmo tempo em que respeita o legado dos filmes anteriores.

Fugindo um pouco do aspecto sobrenatural, o longa também se ancora em dores e feridas intrinsecamente humanas. Traumas, medo, raiva, luto, rancor, abuso e violência incorporam-se ao enredo e diminuem a distância entre o humano e o demoníaco dentro da narrativa, um trunfo de Vaniček, que demonstra maestria ao captar esses sentimentos. O trabalho do cineasta francês é outro grande aspecto positivo da obra. Dos movimentos de câmera à escolha dos enquadramentos, passando pelo roteiro, que entrega verdadeiras pérolas, como a sequência de abertura, por exemplo, Vaniček demonstra que foi uma escolha mais do que acertada para comandar um longa que carrega o peso de integrar uma das franquias mais importantes da história do gênero.

Apesar dos muitos acertos, o filme também apresenta algumas falhas, principalmente relacionadas à montagem, com cortes excessivos, e ao uso dos momentos cômicos, uma marca registrada da franquia desde o filme original. Embora esses momentos certamente arranquem algumas risadas da plateia durante a exibição, em determinados trechos eles destoam do tom da narrativa ou surgem em ocasiões nas quais não eram necessários. Soma-se a isso a presença de um artefato específico que funciona claramente como um deus ex machina e que pode fazer um ou outro espectador revirar os olhos quando entra em cena.

Em resumo, Vaniček entrega um bom filme, sustentado por uma ótima direção, um roteiro satisfatório e muita brutalidade, exatamente como se espera de um filme que carregue o título "A Morte do Demônio".

A Morte do Demônio: Em Chamas já está em cartaz nos cinemas brasileiros

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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