Cientistas identificaram moléculas essenciais para a formação do DNA e do RNA em amostras do asteroide Ryugu, reforçando a hipótese de que ingredientes fundamentais para a vida podem ter chegado à Terra por meio de asteroides. O resultado foi publicado na revista científica Nature Astronomy e analisou materiais coletados pela missão Hayabusa2, da agência espacial japonesa JAXA.
As análises confirmaram a presença das cinco nucleobases, adenina, guanina, citosina, timina e uracila, moléculas que formam o código genético de todos os organismos vivos conhecidos. O Ryugu orbita o Sol há cerca de 4,6 bilhões de anos, o que faz dele um objeto considerado praticamente intacto desde o início do Sistema Solar.
As “letras” da vida
As nucleobases funcionam como as “letras” do material genético presente no DNA e no RNA. Elas formam sequências responsáveis por armazenar e transmitir as informações biológicas que determinam o funcionamento das células.
Combinadas com açúcares e fosfatos, essas moléculas formam os nucleotídeos, estruturas que compõem o material genético presente em todos os seres vivos.
Sem essas moléculas, a vida como é conhecida hoje na Terra não seria possível, o que torna a descoberta relevante para estudos sobre a origem da vida.
Moléculas podem se formar sem vida
Segundo os pesquisadores, a descoberta mostra que essas moléculas podem surgir por processos químicos naturais, sem a presença de organismos vivos.
“A detecção de nucleobases diversas em asteroides e meteoritos demonstra sua presença disseminada pelo sistema solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o inventário químico pré-biótico da Terra primitiva”.
Isso significa que corpos rochosos ricos em compostos orgânicos podem ter transportado esses elementos até a Terra antes do surgimento da vida.
Asteroides podem ter levado ingredientes à Terra
A hipótese de que asteroides contribuíram para a origem da vida é estudada há décadas por cientistas. A nova descoberta fortalece essa linha de pesquisa ao demonstrar que todos os cinco blocos moleculares do DNA e do RNA podem surgir naturalmente em corpos celestes primitivos.
O asteroide Ryugu, por exemplo, apresenta quantidades semelhantes de purinas (adenina e guanina) e pirimidinas (citosina, timina e uracila).
Já outros corpos espaciais apresentam composições diferentes. Meteoritos como Murchison, que caiu na Austrália em 1969, possuem maior concentração de purinas, enquanto amostras do asteroide Bennu apresentam maior quantidade de pirimidinas.
Outras moléculas já haviam sido detectadas
O Ryugu já havia apresentado anteriormente evidências de uma química complexa. Estudos anteriores detectaram sinais de água líquida no passado do asteroide, além de aminoácidos e hidrocarbonetos orgânicos.
Agora, com a identificação das cinco nucleobases, cientistas conseguem completar um conjunto importante de moléculas associadas ao surgimento da vida.
Descobertas semelhantes em outros asteroides
Pesquisas recentes também identificaram as mesmas nucleobases em amostras do asteroide Bennu, coletadas pela missão OSIRIS-REx, da NASA.
“A detecção universal das cinco nucleobases canônicas em amostras dos asteroides carbonáceos Ryugu e Bennu destaca a potencial contribuição dessas moléculas exógenas para o inventário orgânico que sustentou a evolução molecular pré-biótica”.
Os cientistas ressaltam, no entanto, que a descoberta não significa que a vida tenha surgido fora da Terra, mas indica que os ingredientes necessários para sua formação podem ter sido distribuídos pelo Sistema Solar e posteriormente chegaram ao planeta primitivo.