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'Quero te bancar': O que mulher criada por IA que 'enganou' homem em MG promete a seguidores

Personagem virtual acumula mais de 300 mil seguidores no TikTok e usa vídeos com aparência realista para atrair homens; especialista alerta para a necessidade de transparência no uso da inteligência artificial.

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  • Homem viaja 2 mil km para encontrar mulher virtual que promete sustentá-lo em fazenda.
  • Perfil de "Jéssica Oliveira" tem mais de 300 mil seguidores e promete vida de luxo para pretendentes.
  • Personagem artificial divulga produtos e usa redes sociais para atrair homens interessados.
  • Especialista alerta sobre necessidade de transparência no uso de inteligência artificial para evitar enganos.
  • Projeto de lei brasileiro busca regulamentar uso da IA e estabelecer categorias de risco.
Nos vídeos publicados nas redes sociais, Jéssica aparece em cenários rurais, cercada por animais e plantações. | Foto: Reprodução
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Uma mulher criada por inteligência artificial (IA), que se apresenta nas redes sociais como “Jéssica Oliveira” ou “Jéssica Fazendeira”, tem chamado a atenção ao publicar vídeos em que promete sustentar homens e oferecer uma vida confortável em uma fazenda. Com aparência e voz realistas, a personagem afirma estar à procura de um companheiro para dividir a rotina no campo.

O perfil reúne mais de 300 mil seguidores no TikTok e também publica conteúdos no Kwai. As promessas feitas nos vídeos incluem frases como “quero te bancar” e “a fazenda vai ser sua”, usadas para despertar o interesse do público masculino.

A repercussão aumentou após o caso de Edimar Rocha Martins, de 49 anos, que viajou mais de 2 mil quilômetros até Belo Horizonte, em Minas Gerais, acreditando que encontraria a mulher com quem vinha conversando pela internet. Ele chegou à capital mineira no domingo (11), mas a suposta pretendente não era uma pessoa real.

 Personagem promete sustentar pretendentes e oferecer vida de luxo

Nos vídeos publicados nas redes sociais, Jéssica aparece em cenários rurais, cercada por animais e plantações. Nas gravações, diz morar sozinha em uma fazenda e procurar um homem disposto a começar uma nova vida ao lado dela.

“Eu quero que você venha pra cá pra viver vida de rei. Olha o tamanho dessa fazenda que vai ser sua”, afirma a personagem em uma das publicações.

Em outro vídeo, ela diz ser viúva há quatro anos e que deseja superar a tristeza e viver novas experiências. “Queria um homem que não tenha medo de mudança”, declara.

A personagem também afirma que pretende assumir as despesas do companheiro para que ele não precise trabalhar.

“Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo”, diz em uma das gravações.

Em outra publicação, a mulher virtual afirma sentir falta de companhia e de alguém com quem possa conversar e dividir a vida. As mensagens reforçam a imagem de uma pessoa em busca de um relacionamento estável, embora a personagem seja produzida artificialmente.

Perfil também divulga produtos vendidos na internet

Além das promessas de relacionamento, a personagem utiliza as redes sociais para fazer publicidade de produtos comercializados na internet, incluindo itens anunciados no Mercado Livre.

Em uma das gravações, ela faz referência a uma marca de produto masculino e afirma que seu interesse pelos homens aumenta quando eles utilizam o item.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não havia registro de ocorrência relacionado ao caso do homem que viajou para encontrar a suposta pretendente. A corporação orientou que pessoas que se considerem vítimas de situações semelhantes procurem uma unidade policial ou registrem a ocorrência pela delegacia virtual, quando disponível.

Especialista defende transparência no uso da inteligência artificial

O especialista em Inteligência Artificial, Marketing e Gestão de Tecnologia da Informação Samuel Costa afirma que a facilidade de acesso às ferramentas de criação de conteúdo artificial amplia a necessidade de regras e mecanismos de transparência nas plataformas digitais.

Segundo ele, atualmente, pessoas com acesso à internet conseguem desenvolver personagens virtuais com aparência e comportamento cada vez mais próximos dos humanos, sem necessariamente precisar de grandes investimentos ou conhecimentos técnicos avançados.

Para Costa, quanto mais realistas essas produções se tornam, maior é a importância de informar ao público quando o conteúdo ou a pessoa apresentada foi criado por inteligência artificial. A transparência, segundo o especialista, é uma medida importante para evitar que usuários sejam induzidos ao erro.

 Projeto de lei prevê regras para o uso da IA no Brasil

O debate sobre a utilização da inteligência artificial também chegou ao Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 2.338/2023, apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco, propõe a criação de um marco legal para regulamentar o desenvolvimento e o uso da tecnologia no Brasil.

A proposta estabelece categorias de risco para sistemas de inteligência artificial e prevê medidas que podem incluir advertências, multas e outras sanções, conforme as situações previstas no texto.

O projeto ainda depende da tramitação legislativa para que suas disposições possam se tornar lei. A discussão busca estabelecer parâmetros para o uso da tecnologia e reduzir possíveis danos aos usuários, especialmente em situações que envolvem manipulação, falta de transparência e conteúdos artificiais capazes de se passar por pessoas reais.

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