- Mãe Rainha das Trevas construiu estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no distrito de Taíba, Ceará.
- Obra foi erguida no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, templo com 29 anos de existência.
- Estátua custou cerca de R$ 100 mil, financiada com recursos próprios da líder religiosa.
- Prefeitura confirmou que templo atende às normas urbanísticas e ambientais da região.
- Quimbanda é prática religiosa ancestral, associada à evolução espiritual e reencarnação.
A líder religiosa conhecida como Mãe Rainha das Trevas construiu uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no distrito de Taíba, em São Gonçalo do Amarante, no litoral do Ceará.
A obra foi erguida no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, templo religioso onde a sacerdotisa realiza rituais e atividades ligadas à quimbanda. Nas redes sociais, ela reúne cerca de 800 mil seguidores, onde compartilha conteúdos sobre a prática religiosa.
Templo existe há quase três décadas
O Palácio Estrela Negra da Quimbanda completou 29 anos de fundação em 25 de julho, mesma data escolhida para a inauguração da estátua. Antes de se estabelecer no atual endereço, Mãe Rainha das Trevas comandou, por quatro anos, um espaço no bairro Montese, em Fortaleza, conhecido como Casa dos Caixões.
Segundo ela, o imóvel era pintado de preto e possuía quatro caixões utilizados em rituais religiosos, o que gerou críticas e manifestações de preconceito.
Estátua custou cerca de R$ 100 mil
De acordo com a líder religiosa, a construção da estátua custou aproximadamente R$ 100 mil, valor pago integralmente com recursos próprios. Ela informou que o projeto foi desenvolvido por um engenheiro civil e construído em terreno de sua propriedade. Segundo Mãe Rainha das Trevas, todas as autorizações necessárias foram obtidas antes do início da obra.
A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante confirmou que o templo atende às normas urbanísticas e ambientais e recebeu as licenças exigidas, incluindo autorização da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA), já que o imóvel está localizado em uma Área de Proteção Ambiental (APA).
Templo realiza rituais e ações sociais
O espaço abre ao público uma vez por mês para a realização de giras e outras celebrações religiosas, reunindo, segundo a líder, entre 200 e 300 participantes. Ela também afirmou que promove ações sociais, como a doação de carne proveniente de oferendas rituais e a distribuição de brinquedos para crianças durante o mês de outubro.
Apesar das críticas recebidas nas redes sociais, Mãe Rainha das Trevas disse não temer atos de vandalismo contra a estátua e afirmou que mantém uma relação de respeito com a comunidade onde vive. Segundo os entrevistados, a quimbanda é uma prática religiosa de tradição ancestral voltada à evolução espiritual.
O sacerdote Barok, identificado como Tata N'ganga de Quimbanda Brasileira, afirmou que a religião ainda enfrenta preconceitos e é frequentemente associada, de forma equivocada, ao mal. Ele explicou que o termo Tata N'ganga designa um sacerdote responsável pela condução de rituais dentro da tradição.
Crenças da quimbanda
De acordo com Barok, não há consenso sobre a origem histórica da quimbanda. Ele afirmou que o nome da prática teria relação com os kimbandas, curandeiros de povos bantos responsáveis por rituais de cura. Segundo o sacerdote, um dos princípios da quimbanda é a crença na reencarnação, entendida pela tradição como um ciclo que deve ser superado por meio da evolução espiritual.
As explicações apresentadas pelo sacerdote refletem os ensinamentos e crenças da quimbanda e não representam consenso entre outras tradições religiosas.
(Com informações do g1/CE)