- Termo "fictional crush" descreve interesse por personagens fictícios de filmes, séries e livros que despertam admiração e identificação.
- Plataformas digitais incentivam criação de conteúdos que reproduzem estilos e elementos de personagens, aproximando ficção da realidade.
- Exemplo recente é a criadora de conteúdo Raquel Pacheco, que faturou mais de R$ 100 mil após lançamento do perfil inspirado no filme "Bruna Surfistinha".
- Personagens como Gabriela, Bebel, Angel e Ritinha são citados como exemplos de identificação popular devido à conexão prévia com o público.
- Diretor da FatalFans afirma que personagens consolidados despertam interesse por rotina, bastidores e aspectos não mostrados na narrativa original.
A atração por personagens fictícios ganhou um termo próprio: fictional crush. A expressão é utilizada para descrever o interesse por figuras de filmes, séries, novelas, livros e jogos que, mesmo sem existir na vida real, despertam identificação, admiração e desejo por características como personalidade, aparência e trajetória.
Com a expansão das plataformas digitais, esse vínculo passou a inspirar conteúdos produzidos por criadores que reproduzem estilos, figurinos e elementos de personagens conhecidos, aproximando o universo da ficção da experiência do público.
Caso de Bruna Surfistinha reacendeu debate
Um exemplo recente citado nesse contexto é o de Raquel Pacheco, cuja história inspirou o filme "Bruna Surfistinha", protagonizado por Deborah Secco.
Segundo dados divulgados pela plataforma FatalFans, a criadora de conteúdo faturou mais de R$ 100 mil nas primeiras 24 horas após o lançamento de seu perfil, resultado que, segundo a empresa, demonstra o potencial de histórias já conhecidas para atrair audiência anos depois de ganharem notoriedade.
Personagens marcantes seguem no imaginário do público
Entre as personagens apontadas como exemplos de forte identificação popular estão Gabriela, interpretada por Juliana Paes na adaptação da obra de Jorge Amado, e Bebel, vivida por Camila Pitanga na novela "Paraíso Tropical". Também são citadas Angel, personagem de Camila Queiroz em "Verdades Secretas", e Ritinha, interpretada por Isis Valverde em "A Força do Querer".
Segundo o diretor de operações da FatalFans, Kellerson Kurtz, personagens que já possuem uma identidade consolidada partem de uma conexão previamente construída com o público.
Elas não dependeriam apenas da imagem. São figuras que permaneceram na memória das pessoas e despertaram interesse sobre a rotina, os bastidores e aquilo que a narrativa original não mostrava, afirma.
Narrativa e identidade influenciam interesse
De acordo com Kurtz, o interesse do público por esse tipo de conteúdo vai além da aparência física e está relacionado à construção de uma identidade e de uma narrativa.
Muita gente acredita que existe um modelo ideal para despertar interesse, mas o que realmente conecta é a identidade. Quando existe uma história, uma personalidade e uma relação construída com quem acompanha, a vontade de continuar seguindo aquela trajetória aparece naturalmente, conclui.
(Com informações do O Globo)