Uma missão internacional para estudar a geleira Thwaites, amplamente conhecida como a “Geleira do Apocalipse”, teve início na Antártida. Cientistas alertam que seu derretimento pode elevar o nível global do mar em cerca de 60 centímetros e, no pior cenário, de 3 a 5 metros.
Satélites registram a erosão da base da geleira pelas águas quentes do oceano, bem como a formação de rachaduras, indicando uma crescente instabilidade.
Terremotos glaciais abalam o Thwaites
Terremotos glaciais são fenômenos gerados em regiões frias, ocorrendo quando enormes blocos de gelo se desprendem das geleiras e caem no mar. Descobertos há mais de 20 anos no hemisfério norte, apenas alguns foram registrados na Antártida.
Um estudo publicado na Geophysical Research Letters identificou centenas desses tremores entre 2010 e 2023, principalmente na extremidade oceânica da Thwaites, a chamada “Doomsday Glacier”. O colapso dessa geleira poderia causar uma rápida elevação do nível do mar.
Missão científica
Cientistas que correm contra o tempo realizam trabalhos de campo ousados em uma paisagem que a maior parte do mundo jamais verá. Seus esforços são urgentes: o que acontecer sob e ao redor dessa vasta geleira nas próximas décadas poderá remodelar o litoral global.
O The New York Times relata que evidências geológicas sugerem que algo parecido já ocorreu há cerca de 120 mil anos. A diferença agora é a velocidade do processo.
Pesquisadores afirmam que o Thwaites, com tamanho aproximado da Flórida, está se desintegrando em anos, e não mais em décadas.
O que vem a seguir?
A expedição passará cerca de um mês na borda do glaciar, enfrentando frio intenso, ventos fortes e um terreno instável. Águas quentes infiltram-se sob o gelo enquanto as marés levantam o Thwaites do leito oceânico, provocando derretimento intenso. Satélites mostram enormes rachaduras, algumas com centenas de metros de profundidade.
Para entender melhor o que acontece, os pesquisadores deve perfurar cerca de 800 metros de gelo para instalar instrumentos no oceano; sobrevoar o gelo fragmentado com radar; lançar equipamentos a partir de helicópteros; equipar focas com sensores, que enviarão dados de temperatura e salinidade via satélite.
Riscos e impacto global
Os riscos são altos. Equipamentos podem falhar, fendas podem engolir instalações inteiras, e o gelo se move cerca de nove metros por dia. Mas os cientistas consideram a missão essencial: o que acontecer na Thwaites definirá o futuro das linhas costeiras e a vida de centenas de milhões de pessoas.
A Antártida não é mais uma abstração distante e congelada — agora, seu comportamento tem consequências diretas para todo o planeta.