- Homem preso por homicídio de vaquejada acionou Justiça contra delegado após imagem ser divulgada como procurado.
- Juiz negou pedido para remover publicações do delegado, afirmando que divulgação é parte do cumprimento de mandado de prisão.
- Defesa do suspeito alega que divulgação da imagem violou direito à presunção de inocência e extrapolou atribuições da polícia.
- Crime ocorreu após vitória de Dadá Guedes em vaquejada, com vítima sendo atacada com golpes de faca na região da virilha e do ombro.
- Família da vítima realizou ato público pedindo prisão do suspeito, enquanto defesa nega motivação relacionada a dinheiro.
O homem preso por suspeita de matar o campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, conhecido como Dadá Guedes, acionou a Justiça contra o delegado responsável pelas investigações após ter a imagem divulgada como procurado. Darlei Teixeira Vitor, conhecido como Sasom Boiadeiro, foi capturado na quarta-feira (8), em Quixadá (CE), após permanecer cerca de um mês foragido. A Justiça, no entanto, negou o pedido para retirar as publicações feitas pelo delegado.
Ação contra delegado
Dias após o crime, a defesa de Darlei ingressou com uma ação contra o delegado William Lopes e o Estado do Ceará, alegando que a divulgação da imagem do investigado nas redes sociais teria violado o direito à presunção de inocência e extrapolado as atribuições da autoridade policial.
Ao analisar o caso, o juiz Rodrigo Campelo Diógenes retirou o delegado do processo, mantendo apenas o Estado do Ceará como réu, e negou o pedido de urgência para remover as publicações. Na decisão, o magistrado destacou que o suspeito estava foragido e que a divulgação da imagem fazia parte do cumprimento do dever legal da polícia para localizar pessoas com mandado de prisão.
"O Delegado de Polícia, ao divulgar a imagem do investigado, atua, em princípio, no estrito cumprimento do dever legal e na tentativa de cumprir uma ordem judicial de prisão. A utilização de canais de comunicação para a localização de indivíduos com mandado de prisão em aberto é ferramenta inerente à atividade."
O juiz também ressaltou que o direito à presunção de inocência não impede a divulgação da imagem de investigados foragidos, especialmente em casos de grande repercussão social.
Prisão e defesa
Darlei Teixeira Vitor se apresentou na Delegacia de Quixadá na madrugada desta quarta-feira (8), onde teve cumprido o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Ele é investigado pelo homicídio ocorrido em 7 de junho, em Quixeramobim, e foi colocado à disposição do Poder Judiciário.
Em nota, a defesa afirmou que a versão apresentada até agora "diverge totalmente da realidade dos fatos" e negou que o suspeito tenha exigido parte da premiação conquistada pela vítima.
A filha de Darlei também divulgou um relato afirmando que o pai teria agido em legítima defesa após ser atacado e sofrer uma fratura na clavícula. Segundo ela, o suspeito é réu primário, pecuarista e caminhoneiro, e não teria cometido o crime por causa de dinheiro.
Entenda o caso
O crime aconteceu após a vitória de Dadá Guedes em uma vaquejada realizada em Quixeramobim. Conforme a investigação, o vaqueiro retornava da arena com o troféu quando foi atacado com golpes de faca na região da virilha e do ombro. A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.
Inicialmente, testemunhas relataram que o crime teria sido motivado por um desentendimento envolvendo a divisão da premiação da competição. No entanto, familiares de Dadá Guedes contestam essa versão e afirmam que o suspeito não participava da equipe do vaqueiro, defendendo que a motivação ainda precisa ser esclarecida durante as investigações da Polícia Civil (PC-CE).