- Luan e Bruno, médicos cearenses, decidiram adotar em 2022, mas enfrentaram longa espera.
- Nágela, mãe de Luan, ofereceu-se como barriga solidária após perceber a demora do processo.
- Após autorização médica, Nágela gestou Levi por fertilização in vitro, sem vínculo genético.
- Após o nascimento de Levi, o casal permaneceu na fila de adoção e recebeu Lara três anos depois.
- A família ganhou dois filhos por caminhos distintos: Levi por barriga solidária e Lara por adoção.
O desejo de construir uma família sempre fez parte dos planos de Luan Victor Almeida Lima. Ao lado do marido, Bruno, também médico infectologista, ele buscava uma forma de realizar o sonho da paternidade. O que Luan não imaginava era que a própria mãe seria responsável por uma das etapas mais importantes dessa história.
Em 2022, Luan e Bruno, médicos cearenses que atuam no Instituto do Câncer do Ceará (ICC), decidiram entrar na fila de adoção. A expectativa era de que, em pouco tempo, pudessem receber uma criança em casa. No entanto, ao descobrirem que o processo poderia levar cerca de seis anos, o casal começou a considerar outras possibilidades.
Foi então que Nágela, mãe de Luan, surpreendeu os dois com uma proposta. Durante uma conversa, ela perguntou se poderia gestar o filho do casal como barriga solidária.
“Eu nunca tinha pensado nessa possibilidade. Foi ela quem teve a ideia”, contou Luan. A proposta surgiu depois que Nágela acompanhou o filho em uma das etapas do processo de adoção e percebeu que a espera poderia ser longa.
Aos 56 anos, ela precisou passar por avaliações médicas e cumprir uma série de exigências para que o procedimento pudesse ser realizado. Havia, porém, uma questão relacionada à idade. Pelas regras aplicáveis ao procedimento, a mulher que atua como barriga solidária deve ser parente de até quarto grau, ter ao menos um filho vivo e, em regra, ter menos de 50 anos.
Como Nágela ultrapassava o limite de idade, a família buscou autorização junto ao Conselho Regional de Medicina. Após a avaliação do caso e diante das boas condições de saúde da mãe de Luan, o procedimento foi autorizado.
A gestação foi realizada por fertilização in vitro, utilizando óvulos doados. Portanto, Nágela não possuía vínculo genético com o bebê que carregava. Depois de 36 semanas de gestação, nasceu Levi, primeiro filho de Luan e Bruno.
A gravidez chegou ao fim antes do período inicialmente previsto. Nas últimas semanas, Nágela passou a apresentar falta de ar e precisou de acompanhamento. Apesar disso, o parto ocorreu sem complicações significativas. O nascimento também marcou uma experiência especial para ela, que voltou a dar à luz três décadas depois do último filho.
Levi nasceu saudável e passou a fazer parte da família que Luan e Bruno tanto sonhavam construir. Mas a história do casal ainda teria outro capítulo inesperado.
Mesmo após o nascimento do filho por fertilização in vitro, os dois decidiram permanecer na fila de adoção. Três anos depois de ingressarem no processo, receberam uma mensagem informando que havia uma criança disponível para adoção.
Era Lara, uma menina com apenas cinco meses de diferença de idade em relação a Levi.
O casal havia optado por um perfil de adoção abrangente, sem restrições relacionadas à cor da pele e aceitando crianças com algumas condições de saúde, além de estabelecer idade de até seis anos. A amplitude das características fez com que fossem chamados mais rapidamente do que esperavam.
Assim, a família que começou com o sonho de Luan de ser pai ganhou dois filhos por caminhos diferentes: Levi, gerado pela própria avó como barriga solidária, e Lara, que chegou por meio da adoção. Duas histórias distintas que acabaram se encontrando dentro da mesma família.