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Nem preto e branco: é assim que seu gato realmente enxerga quando as luzes se apagam

Os gatos não têm visão noturna mágica, mas sim uma engenharia biológica perfeita chamada “tapetum lucidum”

Como enxergam os gatos | Foto: Imagem de Pixabay
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Embora não consigam enxergar na escuridão absoluta, os gatos possuem um sistema visual altamente especializado que lhes permite se orientar, detectar movimentos e reconhecer objetos com até seis vezes menos luz do que um ser humano necessita.

Durante séculos, essa habilidade alimentou mitos sobre uma suposta “visão sobrenatural”, mas especialistas esclarecem que, como qualquer mamífero, os felinos precisam de um nível mínimo de iluminação para perceber o ambiente. A diferença é que, onde humanos veem apenas sombras, os gatos ainda se movem com desenvoltura.

Retina adaptada à pouca luz é o segredo da visão noturna

A principal explicação está na retina, estrutura responsável por captar a luz e transformá-la em imagens.

Nos humanos, a retina combina:

  • Cones, que percebem cores e detalhes com boa iluminação

  • Bastonetes, que atuam em ambientes escuros

Nos gatos, há uma quantidade muito maior de bastonetes, o que explica a alta sensibilidade à baixa luminosidade e à detecção de movimentos rápidos.

Excelente para caçar, mas com menos nitidez e cores

Essa adaptação tem um preço: os felinos sacrificam parte da nitidez e da percepção de cores durante o dia. Sua visão não é voltada para detalhes finos, mas para localizar presas ao amanhecer e entardecer, períodos em que são naturalmente mais ativos como caçadores.

Outro elemento fundamental é o tapetum lucidum, uma camada refletora localizada atrás da retina. Ela funciona como um espelho interno, devolvendo a luz que não foi absorvida na primeira passagem, dando uma segunda chance de captação pelos bastonetes.

Esse mecanismo:

  • Aumenta a visão em pouca luz

  • Explica o brilho dos olhos dos gatos no escuro

Pupilas que se adaptam rapidamente à luminosidade

Os gatos também possuem uma grande capacidade de dilatação das pupilas:

  • No escuro: elas se abrem quase totalmente para captar mais luz

  • No claro: se contraem em uma fenda vertical, protegendo os olhos e melhorando a percepção de profundidade

À noite, eles veem mais movimentos do que formas

Na prática, os gatos percebem o ambiente noturno com base principalmente em:

- Contrastes
- Movimentos sutis

Sua visão é menos nítida que a humana para formas complexas, mas extremamente eficiente para detectar qualquer alteração no ambiente.

Gatos enxergam cores, mas com paleta reduzida

Ao contrário do mito, os felinos não veem em preto e branco.

Estudos indicam que eles distinguem melhor:

  • Azul

  • Verde

Já tons de vermelho e rosa são mais difíceis de perceber. Em ambientes escuros, a percepção de cores diminui ainda mais, pois os bastonetes não transmitem informação cromática.

Bigodes, audição e olfato completam o sistema sensorial

A visão atua junto com outros sentidos altamente desenvolvidos:

  • Audição extremamente sensível

  • Olfato apurado

  • Vibrissas (bigodes) que detectam vibrações e obstáculos próximos

Esse conjunto permite que os gatos se movam com precisão mesmo em ambientes estreitos e pouco iluminados.

Visão adaptada à penumbra, não à escuridão total

Em resumo, os gatos não enxergam no escuro absoluto, mas contam com um sistema visual e sensorial extraordinariamente adaptado à pouca luz.

Graças à:

- Retina especializada
- Tapetum lucidum
- Pupilas altamente flexíveis
- Apoio de outros sentidos

eles conseguem se deslocar com segurança onde os humanos mal distinguem formas — uma vantagem moldada pela evolução como caçadores crepusculares.

(Com informações do O Globo)

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