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Vacina contra a Covid pode dobrar sobrevida de pacientes com câncer, revela estudo

A pesquisa analisou registros de mais de 1.000 pacientes com câncer de pulmão avançado e melanoma que recebiam imunoterapia.

Pessoa em tratamento contra o câncer | Foto: Jahi Chikwendiu/The Washington Post
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As vacinas contra a Covid-19, que salvaram milhões de vidas durante a pandemia, podem ter um efeito surpreendente além da prevenção do coronavírus: ajudar o sistema imunológico a combater o câncer. Um novo estudo do MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, e da Universidade da Flórida, mostrou que pacientes vacinados com imunizantes de mRNA apresentaram quase o dobro da sobrevida média em comparação aos não vacinados.

A pesquisa analisou registros de mais de 1.000 pacientes com câncer de pulmão avançado e melanoma que recebiam imunoterapia. Segundo os cientistas, aqueles que haviam tomado a vacina contra a Covid dentro de 100 dias após o início do tratamento viveram, em média, 37,3 meses, contra 20,6 meses dos que não receberam o imunizante.

“Esses dados são incrivelmente empolgantes, mas precisam ser confirmados em um ensaio clínico de Fase III”, afirmou o radio-oncologista Adam Grippin, principal autor do estudo publicado na revista Nature. Ele adiantou que a nova etapa da pesquisa deve começar até o final do ano.

Os cientistas acreditam que as vacinas de mRNA — que ensinam as células a reconhecer e reagir a ameaças sem infectar o corpo — podem ter ativado o sistema imunológico de forma mais intensa, fazendo com que ele também identificasse e combatesse células cancerígenas. “O RNA dispara todos os alarmes do corpo humano, sinalizando que estamos em perigo”, explicou o oncologista Elias Sayour, da Universidade da Flórida.

O resultado animou a comunidade científica. A pesquisadora Katalin Karikó, vencedora do Prêmio Nobel de Medicina de 2023 por seu trabalho com vacinas de mRNA, disse que já havia indícios de que o imunizante contra a Covid influenciava o crescimento tumoral. “É uma tecnologia rápida, barata e adaptável. Vai avançar e beneficiar muitos pacientes”, destacou.

Apesar do entusiasmo, especialistas reforçam que os resultados ainda são preliminares e não significam uma cura para o câncer. “Estamos falando de uma ferramenta que pode melhorar a resposta à imunoterapia, não de uma solução definitiva”, ponderou Sayour.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional do Câncer dos EUA e diversas fundações de pesquisa. A expectativa é que, caso os próximos testes confirmem os achados, as vacinas de mRNA possam se tornar aliadas poderosas no tratamento de diferentes tipos de câncer.

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