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Relatório da ONU alerta para risco de ressurgimento da epidemia de HIV no mundo

Redução dos recursos ameaça avanços científicos e metas globais

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  • Relatório do UNAIDS alerta sobre risco de reverter conquistas contra HIV devido a redução do financiamento internacional.
  • Financiamento global para combate ao HIV caiu 18% em 2025, atingindo US$ 7,3 bilhões, o menor nível em quase duas décadas.
  • África Subsaariana é uma das regiões mais afetadas, com queda de mais de 50% no acesso à PrEP em alguns países.
  • Apesar dos avanços científicos, 22% das pessoas com HIV no mundo ainda não recebem tratamento, e 21 países registraram aumento de novas infecções.
  • UNAIDS alerta que meta de acabar com AIDS até 2030 está ameaçada, exigindo investimentos e políticas públicas robustas.
A meta de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 ainda é possível, mas dependerá das decisões tomadas pelos governos nos próximos anos. | Foto: Reprodução
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Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) acendeu um sinal de alerta para o futuro do combate ao HIV no mundo. Apesar dos avanços científicos terem levado o número de novas infecções e mortes relacionadas à AIDS aos menores níveis registrados nas últimas três décadas, a redução do financiamento internacional ameaça reverter décadas de conquistas.

Segundo o documento, divulgado durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada no Rio de Janeiro, o mundo vive um momento decisivo: a meta de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 ainda é possível, mas dependerá das decisões tomadas pelos governos nos próximos anos.

Atualmente, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV no planeta. Em 2025, foram registrados aproximadamente 1,2 milhão de novos casos da infecção e 570 mil mortes relacionadas à AIDS. Embora os números representem uma redução significativa em comparação com décadas anteriores, o UNAIDS destaca que milhões de pessoas continuam sem acesso ao tratamento adequado.

 Cortes no financiamento preocupam especialistas

O relatório aponta que o financiamento global destinado ao combate ao HIV sofreu uma queda de 18% em 2025, atingindo US$ 7,3 bilhões (o menor patamar registrado em quase duas décadas). Os recursos totais disponíveis para a resposta global ao HIV também diminuíram cerca de 6%.

A redução nos investimentos compromete programas considerados essenciais, como distribuição de medicamentos preventivos, testagem, tratamento antirretroviral e serviços comunitários voltados às populações mais vulneráveis.

Países da África Subsaariana foram alguns dos mais afetados pelos cortes. Em algumas nações, o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento utilizado para prevenir a infecção pelo HIV, sofreu quedas superiores a 50%.

 Avanços científicos esbarram na desigualdade

Para a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, o mundo dispõe hoje das ferramentas necessárias para controlar a epidemia, mas elas ainda não chegam de forma igualitária à população.

Segundo ela, a ciência avançou significativamente nos últimos anos, oferecendo tratamentos mais eficazes e novas estratégias de prevenção. No entanto, sem investimentos suficientes, esses avanços não serão capazes de beneficiar todas as pessoas que necessitam deles.

O relatório destaca ainda que aproximadamente 22% das pessoas que vivem com HIV no mundo continuam sem receber tratamento. Entre as crianças, quase metade ainda não tem acesso à terapia antirretroviral.

Além disso, 21 países registraram aumento no número de novas infecções no último ano, enquanto três regiões do planeta apresentaram crescimento dos casos, evidenciando que o progresso permanece desigual.

 Meta para 2030 segue ameaçada

A Organização das Nações Unidas estabeleceu como objetivo acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030. No entanto, o UNAIDS alerta que essa meta poderá ficar fora do alcance caso os investimentos continuem diminuindo.

O documento defende o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, a ampliação do acesso à prevenção e ao tratamento e a manutenção do financiamento internacional como medidas fundamentais para impedir um novo avanço da epidemia.

Apesar do cenário preocupante, o relatório ressalta que ainda é possível alcançar a meta global, desde que haja compromisso político e investimentos sustentados no enfrentamento do HIV nos próximos anos.

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