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Processo diferente: entenda por que as mulheres ficam bêbadas mais rapidamente

Mulheres têm menos água e mais gordura no corpo, menos enzimas para metabolizar álcool e hormônios que intensificam seus efeitos no cérebro.

Mulher bebendo cerveja | Foto: Imagem de Freepik
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Já é praticamente um consenso científico que o corpo feminino processa o álcool de forma diferente do masculino — mesmo quando a quantidade ingerida é a mesma. O que ainda gera debate é o motivo dessa diferença.

Uma das explicações mais comuns aponta a diferença de peso corporal. O argumento é que o etanol se distribui uniformemente pelos compartimentos do corpo, incluindo o cérebro. Assim, corpos menores teriam maior concentração de álcool.

No entanto, essa hipótese parte do pressuposto de que todos os corpos femininos são menores, o que não corresponde à realidade. Por isso, muitos pesquisadores defendem que o fator decisivo não é o tamanho, mas a composição corporal.

Mais gordura, menos água

Em média, as mulheres possuem mais gordura corporal e menos água do que os homens. Como o álcool se dilui melhor na água, essa diferença faz com que o álcool fique mais concentrado no sangue feminino, intensificando seus efeitos.

Outro fator importante é a presença da enzima álcool desidrogenase (ADH). Os homens costumam ter maiores quantidades dessa enzima, que atua no estômago, ajudando a metabolizar o álcool antes que ele chegue à corrente sanguínea.

Nas mulheres, o álcool sai do sistema digestório mais concentrado, sendo absorvido com maior intensidade pelos órgãos seguintes, inclusive o cérebro.

Efeito mais rápido e risco maior de dependência

Quando o álcool chega ao cérebro feminino, ocorre um fenômeno conhecido como telescopagem — um termo complexo para uma ideia simples: os efeitos do álcool tendem a evoluir mais rapidamente para dependência.

Estudos indicam que mulheres passam mais rápido do primeiro uso para problemas graves relacionados ao álcool e para o tratamento, muitas vezes com menos tempo e menor quantidade de consumo do que os homens.

Hormônios também influenciam

Os hormônios femininos têm papel relevante nesse processo. O estradiol, principal hormônio produzido pelos ovários, aumenta a liberação de dopamina no cérebro — substância associada à sensação de prazer.

Esse efeito amplifica a ação do álcool, especialmente durante a ovulação, período em que há um pico de estradiol, o que pode levar ao aumento do consumo. Apesar de todos esses fatores, há um lado positivo: como o efeito do álcool tende a ser mais intenso, a conta no bar pode acabar sendo menor.

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