- Genética influencia percepção dos sabores e preferências alimentares.
- Variante genética TAS2R38 afeta sensibilidade ao sabor amargo do cacau.
- Testes genéticos podem identificar predisposições a diferentes sabores.
- Comportamento alimentar é resultado de fatores biológicos e ambientais.
- Genética não determina preferência por chocolate, mas pode aumentar predisposição.
A vontade de comer um pedaço de chocolate após o almoço ou a dificuldade em resistir a um doce pode ir além do hábito. Pesquisas apontam que a genética também exerce influência sobre a forma como cada pessoa percebe os sabores e desenvolve suas preferências alimentares.
Embora aspectos como cultura, experiências de vida e estilo de vida também tenham peso, variantes genéticas ajudam a explicar por que algumas pessoas preferem chocolates mais doces, enquanto outras apreciam versões com maior concentração de cacau.
Genética influencia a percepção dos sabores
Segundo o médico geneticista Ricardo Di Lazzaro, fundador da Genera e consultor em genética da Dasa, a forma como cada indivíduo percebe o sabor dos alimentos está relacionada, em parte, ao funcionamento dos genes.
"É comum pensar que gostar de chocolate é apenas uma questão de hábito, mas a ciência mostra que a genética também influencia nossas preferências alimentares. Ela ajuda a explicar por que duas pessoas podem experimentar o mesmo chocolate e ter percepções completamente diferentes sobre o sabor", afirma.
De acordo com o especialista, alguns genes atuam diretamente nos receptores responsáveis por identificar os diferentes sabores, tornando determinadas pessoas mais sensíveis a algumas substâncias presentes nos alimentos.
Por que o chocolate amargo divide opiniões?
Entre os genes mais estudados está o TAS2R38, associado à percepção do sabor amargo. Dependendo da variante genética herdada, algumas pessoas conseguem sentir o amargor do cacau com maior intensidade.
Isso explica por que um chocolate com 70% de cacau pode ser considerado agradável para uns e excessivamente amargo para outros. O mesmo mecanismo também influencia a aceitação de alimentos como café sem açúcar, rúcula, agrião, brócolis e cervejas de sabor mais intenso.
"Essa diferença não significa que um grupo tenha um paladar melhor que o outro. Apenas mostra que cada organismo interpreta os sabores de forma diferente", destaca Ricardo Di Lazzaro.
Existe um "gene do chocolate"?
Apesar da influência genética, os especialistas esclarecem que não existe um único gene responsável por fazer alguém gostar de chocolate.
O desejo pelo alimento resulta da combinação de fatores biológicos, emocionais e comportamentais. Além disso, o chocolate estimula a liberação de neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e recompensa, como a dopamina, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas recorrem ao doce em momentos de estresse, ansiedade ou para buscar conforto emocional.
"A genética não determina que alguém será apaixonado por chocolate, mas pode aumentar a predisposição para determinadas preferências alimentares. O comportamento alimentar é multifatorial e envolve também ambiente, educação, rotina e emoções", explica o geneticista.
Com os avanços da genômica, exames realizados por meio da saliva conseguem identificar características relacionadas ao metabolismo e às preferências alimentares.
Testes genéticos podem auxiliar na alimentação
Com os avanços da genômica, exames realizados por meio da saliva conseguem identificar características relacionadas ao metabolismo e às preferências alimentares.
Esses testes podem apontar predisposições ligadas à percepção do sabor amargo, ao consumo de alimentos doces e à forma como o organismo reage a diferentes nutrientes. Segundo o especialista, essas informações podem contribuir para estratégias nutricionais mais individualizadas, sempre associadas a hábitos saudáveis.
"Quando entendemos melhor como nosso organismo funciona, conseguimos fazer escolhas mais conscientes. A genética não substitui uma alimentação equilibrada, mas oferece informações que ajudam a construir hábitos mais compatíveis com cada pessoa", conclui.
Apesar da influência do DNA, especialistas reforçam que fatores como alimentação, cultura, experiências de vida e comportamento continuam desempenhando papel fundamental na relação das pessoas com o chocolate e outros alimentos.