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Evitar açúcar na infância reduz risco de infarto e AVC, indica pesquisa

specialistas já apontam que o período que vai da gestação até cerca dos dois anos de idade.

O impacto do açúcar na infância | Foto: Freepik
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A redução do consumo de açúcar nos primeiros mil dias de vida pode ajudar a proteger contra problemas cardiovasculares, como infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC), além de retardar o surgimento dessas doenças. A conclusão é de um estudo publicado recentemente no British Journal of Medicine.

Especialistas já apontam que o período que vai da gestação até cerca dos dois anos de idade, conhecido como os primeiros mil dias, é determinante para o risco cardiometabólico ao longo da vida.

Para analisar o impacto do açúcar nessa fase, os pesquisadores utilizaram como base o período de racionamento do alimento no Reino Unido, entre 1942 e 1953, adotado durante e após a Segunda Guerra Mundial para evitar a escassez.

O estudo avaliou dados de 63.433 participantes do UK Biobank, nascidos entre outubro de 1951 e março de 1956. Os voluntários foram divididos em dois grupos: aqueles expostos ao racionamento ainda durante a gestação ou nos primeiros anos de vida e os que nasceram após o fim da medida.

Os resultados indicaram que quanto maior o tempo de restrição ao açúcar, maior a proteção contra doenças cardiovasculares. Entre os menos expostos ao ingrediente, houve redução de 25% no risco de infarto e de 31% na probabilidade de AVC na vida adulta. Além disso, essas doenças surgiram, em média, cerca de dois anos mais tarde nesse grupo.

Apesar dos achados, os autores destacam limitações. Por se tratar de um estudo observacional, baseado em dados históricos, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o consumo de açúcar e o desenvolvimento dessas doenças.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que crianças menores de dois anos não consumam açúcar ou doces. A recomendação integra diretrizes de alimentação saudável e considera evidências de que a introdução precoce do ingrediente está associada a maior risco de obesidade, cáries, alterações metabólicas e preferência por alimentos ultraprocessados. Mesmo após essa fase, o consumo deve ser moderado e ocasional.

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