Uma das mensagens mais comuns quando se fala em saúde mental é: “procure ajuda”.
A orientação é importante, mas precisa vir acompanhada de outra pergunta: que ajuda estará disponível quando essa pessoa decidir pedir?
Existe alguém preparado para ouvir sem julgamento? Há serviços acessíveis? A escola sabe como agir diante de um estudante em sofrimento? Uma empresa possui um fluxo para situações de crise? Os serviços de saúde conseguem acolher e acompanhar uma pessoa depois de uma emergência?
A responsabilidade pela prevenção não pode ser colocada exclusivamente sobre quem está sofrendo.
Famílias, escolas, empresas, profissionais de saúde, universidades, comunidades e poder público também fazem parte dessa rede de proteção. Criar ambientes onde seja possível falar sobre sofrimento e buscar ajuda sem medo ou vergonha também é uma forma de prevenção.
Setembro termina. A prevenção, não.
No Brasil, boa parte da atenção ao tema ainda se concentra no Setembro Amarelo. A mobilização é importante, mas campanhas, palestras e publicações não podem ser confundidas com uma política permanente de prevenção.
Uma escola pode promover uma atividade sobre saúde mental em setembro. Mas o que acontece quando um aluno apresenta sinais de sofrimento em abril?
Uma empresa pode realizar uma campanha durante o mês. Mas existe acolhimento para um funcionário que enfrenta uma crise em fevereiro?
Um serviço pode falar sobre prevenção em setembro. Mas há acompanhamento para quem procura atendimento depois de uma tentativa?
Essas perguntas ajudam a mostrar que prevenção não é apenas uma campanha. É uma construção contínua.
O desafio, portanto, é fazer com que o debate ultrapasse o calendário e se transforme em práticas permanentes de cuidado.