Alerta sobre uso sem acompanhamento
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Especialistas explicam que o risco de pancreatite já é conhecido pelos médicos e consta, inclusive, na bula de alguns desses medicamentos.
No caso do Mounjaro, o documento informa que a inflamação do pâncreas, chamada de pancreatite aguda, é uma reação adversa incomum, mas possível durante o tratamento.
Outro ponto que é reforçado pela própria Anvisa é que ainda não se sabe se os casos foram mesmo causados pelo uso da caneta ou por um risco que o paciente já tinha.
Para além disso, não há dados oficiais sobre o total de pacientes que usam esses medicamentos no Brasil para saber qual é a porcentagem de pessoas em tratamento que são afetadas pelo efeito adverso. Para se ter uma dimensão do uso, estimativas apontam que apenas o mercado ilegal movimente R$ 600 milhões por ano.
Alexandre Hohl reforça que ainda não é possível associar diretamente os casos, já que o público-alvo dessas terapias é formado por pessoas que, por si só, já têm maior risco de pancreatite, como pacientes com obesidade e diabetes.
Segundo ele, pacientes em uso dessas substâncias precisam ter acompanhamento regular da saúde do pâncreas, o que faz parte do protocolo clínico.
No Brasil, não há um alerta específico para pancreatite associado ao tratamento, e os médicos ouvidos reforçam que o uso dos medicamentos continua sendo considerado seguro, desde que haja indicação adequada e acompanhamento médico.
Anvisa informou que acompanha os casos e que vem aumentado o rigor, como a exigência de retenção de receita. No entanto, pontou que outras medidas podem ser tomadas caso identifique outros riscos.
Para se ter uma noção, em nível mundial, há 14.530 notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos e 378 mortes.
Nesses casos, não há controle de dose, histórico clínico ou monitoramento de sinais precoces de inflamação do pâncreas, o que pode levar a quadros graves antes da busca por atendimento médico.