O Brasil já contabiliza ao menos 62 casos confirmados de Mpox em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde e de autoridades estaduais. A doença é causada por um vírus da família Orthopoxvirus, a mesma da antiga varíola humana, e possui diferentes grupos genéticos, conhecidos como clados, que classificam variações com pequenas alterações no material genético.
Além dos clados I e II, cientistas identificaram subdivisões como Ia, Ib, IIa e IIb. Recentemente, foram detectados dois casos de uma cepa resultante da recombinação entre variantes Ib e IIb, fenômeno que ocorre quando duas versões do vírus infectam simultaneamente uma pessoa e trocam material genético.
Distribuição de casos no país
O estado de São Paulo concentra a maior parte das confirmações, com 44 diagnósticos e 71 suspeitas até fevereiro, segundo dados estaduais. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (9), Rondônia (4), Bahia (2), Rio Grande do Sul (1), além de 1 caso no Distrito Federal e em Santa Catarina.
Em São Paulo, 185 suspeitas foram notificadas no total, com 57 descartadas. No Rio de Janeiro, foram registradas 20 notificações, quatro ainda sob investigação. Já em Porto Velho, quatro casos foram confirmados após seis notificações, e dois foram descartados
Na Bahia, sete suspeitas foram registradas, três descartadas. Um caso confirmado ocorreu em Vitória da Conquista e outro, considerado importado, foi notificado em Salvador, referente a paciente residente em Osasco. Em Porto Alegre, autoridades confirmaram o primeiro diagnóstico do ano; o paciente teria contraído a infecção fora do estado.
Gravidade e perfil clínico
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos quadros registrados no país é classificada como leve ou moderada, sem mortes confirmadas até o momento. Dois pacientes diagnosticados em dezembro de 2025 já receberam alta hospitalar, enquanto outros dois identificados em fevereiro seguem internados em condição estável e isolados.
A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo com lesões, secreções ou fluidos corporais de pessoas infectadas, inclusive durante relações sexuais. Também pode ocorrer por objetos contaminados, gotículas respiratórias em circunstâncias específicas e, mais raramente, da mãe para o bebê durante a gestação.
Avaliação de especialistas
Para a infectologista Cristhieni Rodrigues, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, os números atuais não indicam surto nacional. Segundo ela, diferentemente de 2022, quando houve expansão global acelerada, os registros recentes são menores e estão sob monitoramento ativo, mantendo baixo o risco para a população geral.
Já o infectologista Juvencio Furtado, do Hospital Heliópolis, gerido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, avalia que o volume atual pode superar o esperado para o período. Em 2025, entre janeiro e as três primeiras semanas de fevereiro, foram confirmados 209 casos no país. Os dados de 2026 ainda são preliminares e podem crescer com o avanço das investigações.
Segundo ele, o Sistema Único de Saúde precisa manter capacidade de vigilância e diagnóstico, sobretudo após períodos de maior interação social. “Em um primeiro momento, o cenário preocupa. Mas o teste real virá depois desses eventos. Se mais casos forem detectados, pode se tornar uma questão de saúde pública maior”, afirma.
Variante recombinante monitorada
A Organização Mundial da Saúde confirmou recentemente a identificação de uma nova variante recombinante do vírus. Até agora, apenas dois registros foram documentados, um no Reino Unido e outro na Índia, e não há evidências de circulação ampla nem ligação comprovada com os casos atuais no Brasil.