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Bebida açucarada diária é associada a maior risco de câncer de estômago, aponta estudo

Estudo com mais de 112 mil pessoas encontrou risco até três vezes maior entre mulheres que consumiam bebidas com açúcar

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  • Consumo diário de bebidas açucaradas está associado a 2,45 vezes mais risco de câncer de estômago, segundo estudo norte-americano.
  • Estudo analisou dados de mais de 112 mil pessoas e identificou maior risco entre mulheres, com associação de 3,04 vezes.
  • Helicobacter pylori foi analisada como fator principal relacionado ao câncer de estômago, com mais de um terço dos participantes infectados.
  • Excesso de sal, carnes processadas e fatores como obesidade e tabagismo também estão associados ao aumento do risco de câncer gástrico.
  • Alimentação é apenas um dos fatores envolvidos, com infecções, genética e ambiente também contribuindo para o desenvolvimento da doença.
Bebida açucarada diária é associada a maior risco de câncer de estômago | Foto: Divulgação
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O consumo de uma bebida açucarada por dia pode estar associado a um risco maior de desenvolver câncer de estômago, segundo estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na revista científica Gastro Hep Advances. A pesquisa analisou dados de mais de 112 mil pessoas e identificou uma associação de 2,45 vezes maior no risco de diagnóstico de câncer gástrico entre quem consumia frequentemente bebidas adoçadas com açúcar, como refrigerantes e limonadas, em comparação com aqueles que raramente consumiam esses produtos. Entre as mulheres, a associação observada chegou a 3,04 vezes.

Estudo acompanhou mais de 112 mil pessoas

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, e investigou a relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento do câncer gástrico.

Durante o período analisado, 278 participantes receberam diagnóstico de câncer de estômago. O estudo concentrou a análise especialmente no consumo regular de bebidas com adição de açúcar, em torno de uma porção por dia.

Os pesquisadores, porém, destacam que os resultados apontam para uma associação, e não comprovam que as bebidas açucaradas, isoladamente, sejam responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

“O câncer do estômago é a quinta principal causa de morte por câncer em todo o mundo, mas sabe-se muito pouco sobre como a dieta pode contribuir para essa doença”

H. pylori também foi analisada

A pesquisa também considerou a presença da Helicobacter pylori (H. pylori), bactéria reconhecida como um dos principais fatores relacionados ao câncer de estômago.

Dos participantes avaliados especificamente nesse aspecto, 940 foram analisados para a presença da bactéria, e mais de um terço apresentou a infecção.

A H. pylori pode provocar uma inflamação prolongada no estômago, que pode levar a alterações progressivas na mucosa e está entre os fatores mais conhecidos associados ao desenvolvimento do câncer gástrico.

Açúcar adicionado e sal aumentam risco de câncer de estômago - Foto: Divulgação

Quais fatores aumentam o risco?

O câncer de estômago tende a ser mais frequente em pessoas com mais de 50 anos e apresenta maior ocorrência entre homens. Além da alimentação, diversos fatores podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença.

Excesso de sal

Uma alimentação com grande quantidade de sal está associada a um maior risco de câncer gástrico, principalmente quando esse padrão começa ainda nos primeiros anos de vida.

Alimentos em conserva, carnes processadas, embutidos e produtos muito salgados podem provocar danos à mucosa do estômago e favorecer alterações no tecido.

Carnes processadas

Produtos como salsicha, bacon, presunto e carne seca também estão entre os alimentos que merecem atenção.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica as carnes processadas como carcinogênicas para humanos, com evidências de associação com determinados tipos de câncer.

Obesidade, cigarro e álcool

Obesidade, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas também estão entre os fatores associados a um maior risco de câncer gástrico.

O risco não depende, portanto, de um único hábito. A avaliação considera diferentes aspectos do estilo de vida e das condições individuais.

Compostos nitrosos

Substâncias chamadas compostos nitrosos, encontradas em determinados alimentos, na fumaça e em outras fontes ambientais, também são estudadas pela possível relação com alterações que podem anteceder o câncer no estômago.

Exposição no trabalho

A exposição a determinados agentes no ambiente profissional também pode estar relacionada ao risco da doença.

Entre os trabalhadores que podem ter maior exposição estão aqueles que atuam em setores como mineração de carvão, processamento de metais e indústria da borracha.

Vírus também está relacionado

Além da H. pylori, o vírus Epstein-Barr (EBV) também é associado a uma parcela dos tumores gástricos.

O vírus é conhecido principalmente por causar mononucleose infecciosa, mas estimativas indicam que entre 5% e 10% dos casos de câncer de estômago no mundo podem ter relação com a infecção.

Alimentação é apenas um dos fatores

Os resultados sobre as bebidas açucaradas reforçam a necessidade de analisar a alimentação dentro de um conjunto maior de fatores relacionados ao câncer gástrico.

Além dos hábitos alimentares, entram nessa avaliação infecções, genética, ambiente e estilo de vida. Por isso, a associação encontrada no estudo não significa que o consumo de bebidas com açúcar, sozinho, determine o desenvolvimento da doença.

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