O “wellness de luxo” transformou o cuidado com o corpo em uma experiência sofisticada, com academias e clínicas oferecendo serviços como crioterapia, pilates, massagens, exames genéticos e monitoramento do sono. Tecnologia, personalização e exclusividade passaram a integrar a rotina de quem investe alto em bem-estar.
Especialistas, porém, reforçam que os pilares da saúde continuam sendo alimentação equilibrada, sono de qualidade e exercícios físicos regulares. Recursos premium podem complementar os resultados, mas não substituem hábitos saudáveis e constância.
Tecnologia vestível
O uso de smartwatches e anéis inteligentes se tornou uma das principais tendências do mercado fitness, ajudando a monitorar batimentos cardíacos, sono, atividades físicas e calorias. Apesar da popularidade, especialistas alertam que esses dispositivos ainda não oferecem dados totalmente precisos.
Segundo o professor Hunter Bennett, da Universidade de Adelaide, métricas como frequência cardíaca podem ser afetadas por movimento, suor, tom de pele e ajuste do relógio. Já o monitoramento do sono consegue identificar quando a pessoa dorme, mas ainda apresenta limitações para detectar corretamente os estágios do sono.
Banheiras de gelo
As banheiras de gelo também ganharam espaço no universo do wellness de luxo. A técnica consiste em mergulhar o corpo em água fria, geralmente entre 10 °C e 15 °C, para ajudar na recuperação muscular após exercícios intensos.
Atletas e praticantes de atividades físicas utilizam o método para reduzir dores e acelerar a recuperação. Estudos indicam que a imersão em água gelada pode ajudar na retomada da força, potência e flexibilidade, mas especialistas afirmam que ainda são necessárias mais pesquisas sobre os efeitos da prática.
Testes genéticos
Assim como as banheiras de gelo, os testes genéticos vendidos no mercado de wellness de luxo ainda têm limitações científicas. Especialistas afirmam que fatores como alimentação, rotina e prática de exercícios influenciam mais a saúde do que apenas a genética.
Segundo o médico Eduardo Rauen, muitas pessoas investem caro nesses exames, mas não mudam hábitos prejudiciais. Para ele, a tecnologia pode ser útil quando serve para aumentar a consciência sobre o próprio corpo e incentivar mudanças positivas, sempre com acompanhamento profissional.
Plasma Rico em Plaquetas (PRP)
Entre os procedimentos com respaldo científico está o plasma rico em plaquetas (PRP), técnica que utiliza o sangue do próprio paciente para fins estéticos e regenerativos. O método consiste em retirar sangue, separar as plaquetas por centrifugação e aplicar o material na pele com microagulhas.
Em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirmou que o procedimento ainda não é amplamente reconhecido pelos conselhos da área da saúde, com exceções em áreas como Odontologia e Enfermagem. O órgão também alertou para a necessidade de cautela no uso de produtos derivados do sangue, devido ao risco de transmissão de doenças como HIV e hepatites.
(Com informações do O Globo)