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Anvisa aprova novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca

Aquitpa, da farmacêutica AbbVie, contém atogepanto, substância que atua sobre uma molécula relacionada às crises de enxaqueca; medicamento ainda não tem preço nem data de chegada às farmácias brasileiras

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  • A Anvisa aprovou o registro do Aquipta, medicamento oral para prevenção da enxaqueca, produzido pela AbbVie.
  • O remédio atua bloqueando o receptor do CGRP, molécula envolvida nas crises de enxaqueca, e está disponível em duas apresentações.
  • O Aquipta ainda não está disponível no Brasil, pois precisa passar pela avaliação da CMED para definição de preços e disponibilidade.
  • Estudos clínicos mostraram redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês com a dose de 60 mg, em comparação a 2,5 dias no placebo.
  • A aprovação não garante imediata inclusão no SUS, que exige análise adicional por parte da Conitec para incorporação.
Cerca de 41% dos pacientes tratados com a dose de 60 mg tiveram redução de pelo menos metade dos dias de enxaqueca. No grupo placebo, o índice foi de 26%. | Foto: Reprodução
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto hidratado), um novo medicamento oral destinado à prevenção da enxaqueca.

Produzido pela farmacêutica AbbVie, o remédio faz parte de uma geração mais recente de tratamentos que atuam sobre o CGRP, uma molécula envolvida nos mecanismos responsáveis pelas crises de enxaqueca.

A aprovação contempla duas apresentações: comprimidos de 10 mg e 60 mg, ambos comercializados em caixas com 28 unidades. O registro sanitário é válido até setembro de 2036.

Apesar da autorização da Anvisa, o medicamento ainda não está disponível nas farmácias brasileiras. A empresa informou que o produto precisa passar pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por definir os preços máximos dos remédios no país.

Até o momento, a AbbVie não informou quanto o Aquipta deverá custar nem quando o produto começará a ser vendido no Brasil.

Como o novo medicamento funciona

O atogepanto pertence a uma classe de medicamentos conhecida como gepants. Sua ação está relacionada ao bloqueio do receptor do CGRP, sigla para peptídeo relacionado ao gene da calcitonina.

Durante uma crise de enxaqueca, o sistema nervoso trigeminal, ligado à sensibilidade da cabeça e do rosto, é ativado e libera substâncias envolvidas na transmissão da dor. Entre elas está o CGRP.

O atogepanto bloqueia o receptor ao qual essa molécula se liga e, dessa forma, interfere na sequência de sinais relacionada à dor e à sensibilização das vias nervosas.

Uma das características do tratamento é a administração por via oral. Ele se diferencia dos anticorpos monoclonais que também atuam sobre o CGRP e são utilizados na prevenção da enxaqueca, mas administrados por meio de injeções.

Na União Europeia, o Aquipta foi autorizado em 2023 para prevenir a enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de crise por mês. Em 2026, a indicação também foi ampliada para o tratamento das crises agudas no continente.

No Brasil, as indicações e condições de uso deverão seguir o que estiver estabelecido na bula aprovada pela Anvisa.

Estudos apontaram redução das crises

A eficácia do atogepanto foi analisada em estudos clínicos de fase 3 envolvendo pessoas com diferentes formas de enxaqueca.

Um dos principais trabalhos, chamado ADVANCE e publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 910 adultos que apresentavam entre quatro e 14 dias de enxaqueca por mês.

Após 12 semanas de tratamento, os participantes que receberam 60 mg do medicamento uma vez ao dia tiveram uma redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 2,5 dias.

Também houve diferença na proporção de pacientes que tiveram pelo menos 50% de redução na frequência das crises. Entre os que receberam 60 mg, 60,8% atingiram esse resultado, contra 29% no grupo placebo.

Outro estudo, chamado PROGRESS, avaliou 778 adultos com enxaqueca crônica. No início da pesquisa, os participantes apresentavam aproximadamente 19 dias de enxaqueca por mês.

Entre aqueles que receberam 60 mg de atogepanto diariamente, a redução média foi de 6,9 dias de enxaqueca por mês, enquanto o grupo placebo apresentou queda de 5,1 dias.

Cerca de 41% dos pacientes tratados com a dose de 60 mg tiveram redução de pelo menos metade dos dias de enxaqueca. No grupo placebo, o índice foi de 26%.

Os resultados indicam benefício do medicamento em comparação com o placebo. No entanto, os estudos não foram desenvolvidos para comparar diretamente o atogepanto com outros tratamentos preventivos e, portanto, não permitem afirmar que o novo remédio seja superior às demais opções disponíveis.

Entre os efeitos adversos mais observados nos estudos estão náusea e constipação. No trabalho envolvendo pacientes com enxaqueca crônica, os dois sintomas foram registrados em aproximadamente 10% dos participantes que receberam 60 mg diariamente.

Mais uma opção para pacientes

O Aquipta não é o primeiro medicamento oral da classe dos gepants aprovado pela Anvisa.

Em maio de 2026, a agência autorizou o Nurtec ODT (rimegepanto), da Pfizer. O medicamento foi aprovado para o tratamento das crises de enxaqueca com ou sem aura em adultos e também para a prevenção da enxaqueca episódica em pacientes que apresentam pelo menos quatro crises por mês.

A chegada desses medicamentos amplia as alternativas para prevenção e tratamento da enxaqueca. Durante muitos anos, a prevenção das crises utilizou principalmente medicamentos desenvolvidos originalmente para outras doenças, como alguns betabloqueadores, anticonvulsivantes e antidepressivos.

Também existem opções como a toxina botulínica, indicada em situações específicas, e os anticorpos monoclonais que atuam sobre o CGRP.

A escolha do tratamento depende das características de cada paciente. Frequência e intensidade das crises, outras condições de saúde, resposta a tratamentos anteriores, possíveis efeitos colaterais e acesso ao medicamento são alguns dos fatores considerados pelos profissionais de saúde.

Aprovação não significa chegada imediata ao SUS

A autorização concedida pela Anvisa também não significa que o Aquipta será automaticamente disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Anvisa é responsável por avaliar aspectos como qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos para permitir sua comercialização no país.

Já a incorporação de uma tecnologia ao SUS passa por uma análise específica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Nesse processo, são avaliadas as evidências científicas disponíveis, os benefícios em comparação com tratamentos já oferecidos pelo sistema público e a relação entre custos e resultados.

Assim, embora o novo medicamento já tenha recebido autorização sanitária, ainda são necessários outros processos até que haja uma eventual oferta pela rede pública.

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