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Alimentos fermentados fazem bem ao intestino? Veja o que a ciência já descobriu

Iogurte, kefir, kimchi e chucrute podem favorecer a microbiota intestinal, mas especialistas alertam que nem todo alimento fermentado oferece os mesmos benefícios.

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  • Alimentos fermentados ganham espaço nas dietas por melhorar a saúde intestinal e equilibrar a microbiota.
  • Processo de fermentação modifica compostos dos alimentos e pode ajudar no equilíbrio da flora intestinal.
  • Alguns produtos fermentados contêm probióticos, enquanto outros oferecem benefícios mesmo sem bactérias vivas.
  • Especialistas alertam que nem todos os alimentos fermentados são saudáveis e que o marketing pode exagerar seus benefícios.
  • Consumo deve ser parte de uma alimentação equilibrada, variada e rica em fibras e prebióticos.
Kimchi, chucrute e iogurte são exibidos sobre uma mesa | Foto: Mary Conlon/AP
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Os alimentos fermentados ganharam espaço nas dietas de quem busca melhorar a saúde intestinal, impulsionados pelo interesse crescente na microbiota, também conhecida como flora intestinal. Produtos como iogurte, kefir, kimchi, chucrute e tempeh são apontados por especialistas como aliados da digestão e do equilíbrio das bactérias benéficas do organismo. Apesar disso, pesquisadores destacam que a ciência ainda não definiu a quantidade ideal de consumo e alertam que nem todo produto rotulado como fermentado é necessariamente saudável.

Como os alimentos fermentados ajudam o intestino

A fermentação é um processo natural em que bactérias e leveduras transformam e preservam os alimentos. Segundo especialistas, esse processo facilita a digestão ao modificar alguns compostos presentes nos alimentos e pode contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal.

A gastroenterologista Lisa Ganjhu, da Universidade de Nova York (NYU), afirma que os benefícios vêm sendo comprovados por pesquisas recentes.

"Estamos fazendo isso há séculos e só descobrimos mais recentemente que isso realmente ajuda a saúde do nosso intestino."

Além disso, alguns alimentos fermentados fornecem probióticos vivos, microrganismos que ajudam a manter o equilíbrio da flora intestinal. Outros produtos, mesmo sem conter bactérias vivas após o processamento, também podem oferecer benefícios ao organismo.

Tendências de alimentação para 2019: probióticos nas prateleiras? — Foto: Unsplash/Divulgação

Nem todo alimento fermentado é saudável

Especialistas alertam que o fato de um alimento ser fermentado não significa, automaticamente, que ele seja benéfico à saúde.

Segundo Lisa Ganjhu, bebidas alcoólicas, por exemplo, passam pelo processo de fermentação, mas isso não faz delas alimentos probióticos.

"Cerveja e vinho são alimentos fermentados, mas não são necessariamente probióticos. Se for o caso, eles influenciam nosso próprio microbioma mais de forma negativa."

A diretora do Centro de Nutrição Aplicada da Faculdade de Medicina Chan da Universidade de Massachusetts, Barbara Olendzki, recomenda priorizar alimentos fermentados naturais, como beterraba fermentada, vagem fermentada, iogurte, kefir, kimchi, chucrute e tempeh, evitando produtos ultraprocessados que apenas utilizam o apelo comercial dos probióticos.

Especialistas alertam para o marketing exagerado

Com a popularização do tema, diversos produtos passaram a destacar a presença de probióticos em seus rótulos. No entanto, pesquisadores afirmam que muitos alimentos industrializados utilizam essa estratégia de marketing sem oferecer benefícios equivalentes aos alimentos fermentados tradicionais.

A nutricionista pesquisadora Dalia Perelman, da Universidade de Stanford, explica que os consumidores precisam ficar atentos.

"Os consumidores ficam empolgados com isso e tentam escolher produtos fermentados pensando que são muito 'bons para o intestino', o que não é uma definição clínica. E aí o marketing acaba pegando carona nessa tendência."

Especialistas também recomendam evitar produtos com excesso de açúcar, já que ele favorece o crescimento de bactérias menos benéficas. Uma dica é procurar alimentos que indiquem no rótulo a presença de "culturas vivas", especialmente no caso dos iogurtes.

Consumo deve fazer parte de uma alimentação equilibrada

Embora sejam considerados seguros para a maioria das pessoas, os alimentos fermentados podem causar gases, inchaço ou desconforto intestinal durante a adaptação. Pessoas com doenças intestinais ou sistema imunológico comprometido devem buscar orientação médica antes de incluí-los regularmente na dieta.

Os especialistas também afirmam que não existe um único alimento fermentado considerado o melhorA recomendação é variar as opções e consumi-las de forma frequente dentro de uma alimentação equilibrada, rica em fibras e prebióticos, que servem de alimento para as bactérias benéficas.

Segundo Dalia Perelman, a diversidade é um dos fatores mais importantes.

"Podemos apostar em nos expor a uma variedade."

Já Barbara Olendzki reforça que o benefício não depende apenas dos alimentos fermentados.

"Só vá com calma e beba bastante água. Também importa como é o resto da sua dieta. Não é só uma coisa só."

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