RS anuncia fim da colheita de arroz e diz que não há motivo para importação

Mais de 94% da área plantada foi colhida e safra 2023/2024 supera expectativas, informa instituto que representa o setor

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Arroz | Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Segundo o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz), a produção de arroz no Rio Grande do Sul resultou em 7.162.674,9 toneladas colhidas, conforme divulgado na sexta-feira (14). Mais de 94% da área semeada na safra 2023/2024 foi colhida, abrangendo 851,6 mil hectares. Com esse desempenho, os produtores do estado afirmam que não há necessidade de importação do grão para o país. 

Em nota à imprensa, o presidente do Irga, Rodrigo Machado, reiterou a oposição à importação de arroz anunciada pelo governo federal. Ele destacou que o Rio Grande do Sul representa 70% da produção nacional do grão e teve uma colheita que supera "com pequena margem" as estimativas do setor para este ano, mesmo antes das enchentes. 

Machado afirmou que não há embasamento técnico que comprove o risco de desabastecimento devido à calamidade pública. Ele também destacou que os números desta safra são muito similares aos da safra anterior. Portanto, o instituto assegura a capacidade de abastecimento do mercado nacional. 

“Os dados desta safra comprovam o que o Irga já vem manifestando desde o início do mês de maio, que a safra gaúcha de arroz, dentro da sua fatia de produção no mercado brasileiro, garante o abastecimento do país. Dessa forma, não há, tecnicamente, justificativa para a importação de arroz no Brasil”, disse o presidente do Irga.

De acordo com dados do instituto, as enchentes no estado resultaram na perda de 46.990,59 hectares (5,22%) da área semeada, principalmente na região central. Além disso, outros 1,5 mil hectares estão em processo de colheita, o que corresponde a 0,17% da produção.

LEILÃO CANCELADO

No início do mês, o governo federal realizou um leilão para a compra de arroz importado, adquirindo 263 mil toneladas do grão. Contudo, o Executivo cancelou o procedimento devido a fragilidades identificadas nas empresas vencedoras do certame. 

Das quatro vencedoras, apenas uma era do ramo do arroz. As outras incluíam uma fabricante de sorvetes, uma mercearia de bairro especializada em queijo e uma locadora de veículos. A CGU abriu investigação para apurar possíveis irregularidades no leilão realizado pela Conab. A iniciativa ocorreu a pedido da própria Conab, que também solicitou uma investigação interna.

A Polícia Federal também vai investigar o leilão, a pedido da Conab, para verificar a regularidade do processo licitatório, após denúncias de que empresas sem histórico no mercado de cereais foram vencedoras.  

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