Entretêmeio


Atualizado em

O rei que fez da música um “remédio” para suas dores; ‘Michael’ é incrível

Filme biográfico do Rei do Pop revela bastidores de uma vida que nunca foi totalmente exposta

ATENÇÃO: ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS (MAS VALE A PENA)

(Por Lucas Padula para o Entretêmeio) 

Entre estalos de dedos, gritos de “Rusbé”, “hee hee” e o famoso “au!”, a sessão de cinema começa ao som de uma música extremamente conhecida. Logo de cara, surge a emoção de vivenciar um show que, para muitos, parecia impossível: assistir ao Michael Jackson em ação.

Diante de estádios lotados e multidões que se aglomeravam, tornando o cantor quase invisível no palco, o filme ‘Michael’ é, de fato, um convite para dançar e conhecer os bastidores de uma vida que nunca foi completamente revelada ao público.

A cinebiografia apresenta a trajetória do menino negro nascido em Gary, que enfrentou inúmeras dificuldades até se tornar um ídolo mundial. O longa retrata as fases iniciais de sua carreira, incluindo a formação do grupo ao lado dos irmãos, o The Jackson 5, além da relação conturbada com o pai, Joe Jackson, mostrado como uma figura rígida e, por vezes, agressiva, que explorava o talento dos filhos — especialmente o de Michael — em busca de sucesso financeiro.

Apesar das adversidades, o filme constrói bem os bastidores de uma vida amplamente conhecida, mas ainda cercada de mistérios. Reservado, Michael sempre manteve certa distância da imprensa, o que torna ainda mais interessante a forma como o longa revela o processo criativo por trás de músicas e videoclipes icônicos. Em diversos momentos, a experiência se aproxima da sensação de estar em um show do artista.

Foto: Lionsgate/Divulgação

PERSONAGENS E CARACTERIZAÇÃO

Os personagens e suas caracterizações são impressionantes. Durante a sessão, era possível ouvir comentários de espectadores sobre a semelhança entre os atores e suas versões reais.

O destaque, sem dúvida, é Jaafar Jackson no papel principal. A semelhança física chama atenção, mas é na performance que ele realmente se destaca. Por ser sobrinho de Michael, Jaafar demonstra familiaridade com os trejeitos, a dança e a presença de palco do tio.Há momentos em que parece o próprio Michael em cena. Outro ponto forte são os figurinos: fiéis e cuidadosamente reproduzidos, remetem às icônicas aparições do artista ao longo da carreira.

Mesmo com uso de dublagem em algumas partes, a entrega de Jaafar impressiona. Sua expressão corporal e intensidade transmitem autenticidade, reforçando a imersão do público.

Colman Domingo, ator que interpreta Joe Jackson, pai de Michael. Foto: Lionsgate/Divulgação

CRÍTICAS NEGATIVAS

Não está claro se o filme terá continuação — embora haja indícios de que sim. Caso isso se confirme, talvez explique a sensação de incompletude ao final da exibição.

Fica um gosto de “quero mais”. Parece que a história ainda não foi totalmente contada. Considerando a grandiosidade de Michael Jackson, é compreensível a dificuldade de condensar sua trajetória em pouco mais de duas horas. Ainda assim, a principal crítica é justamente essa: a sensação de que há aspectos importantes que ficaram de fora.

O ator Juliano Krue Valdi, faz Michael, na época do Jackson Five. Foto: Lionsgate/Divulgação

OPINIÃO E COMENTÁRIOS FINAIS

A partir daqui, reforço: pode haver spoilers — mas é necessário comentar.

O filme é emocionante. Alguns momentos se destacam, como quando o personagem demonstra solidão, reclamando da dificuldade de ter amigos ou companhia devido à fama.

Outro ponto marcante é o lado humano do artista. O longa evidencia suas visitas a hospitais, instituições e ONGs, levando alegria a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Também merece destaque sua tentativa constante de se libertar das imposições do pai. Mesmo no auge da fama, Michael buscava autonomia sobre sua própria vida e carreira. Ao mesmo tempo, o filme sugere que ele escondia dores profundas — recorrendo à música como uma forma de “remédio” para lidar com traumas e conflitos internos.

Por trás do astro global, havia alguém que, em essência, ainda desejava ser apenas uma criança comum. Seu sucesso estrondoso parece, em parte, uma tentativa de superar suas dificuldades e provar seu valor.

‘Michael’ é um filme encantador. Sim, repleto de elogios — mas com razão. Há algo de mágico na forma como a obra retrata o artista, mantendo viva a aura que sempre o cercou.

Caso haja uma continuação, a expectativa é que ela mantenha a qualidade e aprofunde ainda mais a história, respeitando o legado de um ícone tão complexo quanto fascinante.

Uma coisa é certa: ao sair da sessão, fica a vontade de voltar ao cinema e assistir tudo de novo.

Assista aos episódios do Entretêcast, podcast do Entretêmeio