Wagner Moura |
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Wagner Moura afirmou ao New York Times que recusou diversos papéis lucrativos em Hollywood para se manter fiel aos próprios valores. Indicado ao Globo de Ouro por 'O Agente Secreto', o ator disse que nunca quis se moldar às expectativas impostas a atores latinos após o sucesso de Narcos.
Wagner Moura em 'O Agente Secreto'. Foto: Reprodução
“Não quero me vender como uma bússola moral, mas eu me mantenho fiel a quem eu sou e ao que acredito ser certo”, afirmou. Em tom bem-humorado, completou: “Estou quase com 50 anos, então foda-se”.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, 'O agente secreto' se passa em 1977, no fim da ditadura militar, e acompanha Armando, um viúvo perseguido pelo regime por se recusar a compactuar com a corrupção. O filme já rendeu a estrela prêmios de melhor ator em Cannes e no New York Film Critics Circle, além de uma indicação ao Globo de Ouro, e é apontado como forte candidato ao Oscar.
Moura também comentou as consequências de seu posicionamento político no Brasil, especialmente durante o governo Jair Bolsonaro. Ele relembrou a dificuldade enfrentada com Marighella, seu primeiro filme como diretor, que teve o lançamento atrasado no país. “O que a extrema direita teme não é o que a gente diz, é o que a gente faz”, afirmou.
Wagner Moura e Seu Jorge em 'Marighella'. Foto: Reprodução/Divulgação
Apesar das críticas e ataques, o ator diz manter profundo carinho pelo Brasil, mas não deixa de fora seus problemas. “É um país lindo, mas também violento, elitista, misógino e homofóbico. Bolsonaro é uma manifestação disso”, declarou.
Vivendo entre os Estados Unidos e Salvador, Wagner afirmou que não busca ser o “ator latino número um” de Hollywood. “Quero disputar os mesmos papéis que atores brancos da minha idade disputam”, disse. Em 2026, ele estreia como diretor de seu primeiro filme em inglês, Last Night at the Lobster, descrito por ele como um “filme de Natal anticapitalista”.
Mesmo com a temporada de prêmios, Moura diz não abrir mão de suas escolhas. “Sucesso é quando você faz o que sempre fez, mas as pessoas começam a prestar atenção”, resumiu.