Juca de Oliveira em 'Torre de Babel' |
Foto: Jorge Baumann/Globo
O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos na madrugada deste sábado (21), em São Paulo, após complicações de uma pneumonia associada a uma condição cardiológica. Ele estava internado desde o dia 13 de março no hospital Sírio-Libanês. O artista, que marcou gerações com trabalhos no teatro e na televisão, teve carreira iniciada nos anos 1950 e acumulou dezenas de produções ao longo de mais de seis décadas.
TRAJETÓRIA
José Juca de Oliveira Santos nasceu em 16 de março de 1935, em São Roque, interior paulista, e iniciou sua carreira no teatro na década de 1950. Antes da atuação, chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo e trabalhar em um banco, mas decidiu abandonar a área para se dedicar à Escola de Arte Dramática. Ao longo da vida, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de integrar mais de dez longas-metragens e cerca de 60 peças teatrais, muitas delas também como autor.
Ainda nos anos 1950, integrou o Teatro Brasileiro de Comédia e contracenou com nomes importantes, participando de montagens como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller. Na década de 1960, em parceria com Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, comprou o Teatro de Arena, referência cultural durante a ditadura militar.
Perseguido pelo regime, o ator se exilou na Bolívia. Sobre o período, afirmou: “Não foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia”, disse em depoimento ao projeto Memória Globo. Ao retornar ao Brasil, fez sua primeira novela em 1964, “Quando o Amor É Mais Forte”, da TV Tupi, e estreou na TV Globo em 1973, em “O Semideus”.
Juca de Oliveira em 'O Clone' (2001) — Foto: Gianne Carvalho/Globo
Seu papel mais marcante na televisão foi o do médico geneticista Dr. Albieri na novela O Clone, exibida entre 2001 e 2002. Na trama, após a morte do afilhado Diogo, interpretado por Murilo Benício, o personagem decide realizar o sonho de ser o primeiro médico a realizar clonagem humana e cria um clone do irmão do jovem, Lucas, em uma das histórias mais lembradas da dramaturgia brasileira.
O último trabalho do ator na TV foi na novela O Outro Lado do Paraíso, em 2018, quando interpretou Natanael. Nos últimos anos, Juca dedicou-se ao teatro, que nunca abandonou, e ao cuidado de sua fazenda de gado de corte, mantendo-se ativo até o fim da vida.