- Defesa de João Victor afirma que sua fala sobre medo de assalto não tem relação com racismo.
- Advogados destacam que agressões foram motivadas por sua vestimenta, considerada feminina.
- GH admitiu que abordagem tinha intenção de gerar conteúdo e engajamento.
- Rock in Rio repudia violência e discriminação, afirmando que segurança é responsabilidade de órgãos competentes.
- João Victor afirma que situação foi transmitida ao vivo, ampliando sua exposição.
Defesa de ator de Quem Ama Cuida rebate streamer após acusação de racismo |
Reprodução/Instagram
A defesa de João Victor Gonçalves, o Mau Mau de “Quem Ama Cuida”, divulgou uma nota após o streamer GH, acusado de hostilizar o ator com comentários homofóbicos, alegar que o artista teria sido racista durante o episódio ocorrido nas proximidades do Rock in Rio.
Segundo os advogados, a fala de João Victor sobre ter sentido medo de ser assaltado não teve qualquer relação com a raça dos envolvidos. A defesa afirma que o temor ocorreu diante do contexto da abordagem, que envolveu quatro pessoas contra o ator, em um local sem a segurança esperada.
“Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial”, diz a nota.
Os advogados também afirmaram que as provocações feitas contra João Victor por causa de sua roupa, consideradas pelos agressores como feminina, configuram um ato discriminatório. Segundo a defesa, o fato de a situação ter sido transmitida ao vivo ampliou a exposição do ator.
A equipe jurídica ainda destacou que GH teria admitido posteriormente que a abordagem tinha como objetivo movimentar o próprio canal e gerar conteúdo. Para os advogados, isso demonstra que a exposição de João Victor foi utilizada deliberadamente para gerar engajamento.
João Victor Gonçalves. Foto: Instagram
A defesa também rebateu a acusação de racismo feita por GH após o episódio. Segundo a nota, eventuais comentários racistas feitos posteriormente por seguidores do ator contra o streamer não podem ser atribuídos a João Victor.
“Reafirma-se que João Victor Gonçalves figura, nestes fatos, exclusivamente na condição de vítima”, afirma o comunicado.
Entenda o caso
O episódio aconteceu na madrugada de sábado (5), quando João Victor deixava o Rock in Rio. O ator foi abordado por um grupo que passou a fazer comentários sobre sua aparência e suas roupas. A situação foi registrada durante uma live de GH.
Após a repercussão, João Victor publicou um vídeo emocionado sobre o caso e afirmou que a situação não seria esquecida. O ator também relacionou o episódio à história de Mau Mau, personagem que interpreta em “Quem Ama Cuida” e que enfrenta situações de homofobia na trama.
GH posteriormente pediu desculpas pela abordagem, mas afirmou que estava fazendo “entretenimento”. Depois, o streamer também alegou ter sido vítima de ataques racistas por parte de seguidores de João Victor e pediu que o ator se retratasse.
O Rock in Rio afirmou, por meio de nota, que repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação ou preconceito e explicou que a segurança dentro do festival é feita por equipe privada, enquanto as áreas públicas ficam sob responsabilidade dos órgãos competentes.
CONFIRA A NOTA COMPLETA DOS ADVOGADOS:
Diante dos fatos amplamente noticiados ocorridos na madrugada de 05/09, nas imediações do Rock in Rio, os advogados que representam João Victor Gonçalves vêm a público esclarecer:
João Victor Gonçalves foi vítima de hostilização motivada por suas vestimentas, em clara relação à discriminação por sua orientação sexual, ao ser abordado e seguido por um grupo de quatro indivíduos que zombaram publicamente da vestimenta, interpretada como de cunho feminino pelo agressores, mas utilizada por um homem, tendo o episódio sido transmitido ao vivo, em tempo real, ao público do autor da hostilização, através de seu canal pessoal na internet.
O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos.
Em manifestação posterior, o próprio autor da hostilização admitiu que sua conduta teve como finalidade “movimentar” seu canal pessoal, evidenciando que o ato discriminatório foi praticado deliberadamente como estratégia de engajamento e geração de conteúdo, em benefício próprio e às custas da exposição pública não consentida da vítima. Tal confissão afasta qualquer alegação de espontaneidade ou de ausência de intenção, reforçando o caráter deliberado da conduta.
Quanto à declaração de João Victor Gonçalves, ofendido, na qual relatou temor de ser assaltado, esclarece-se que tal manifestação não possui qualquer conotação discriminatória. Trata-se de legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem. Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial.
Registra-se que o autor da hostilização, em manifestação posterior, imputou ao próprio ofendido a prática de racismo, alegação que não encontra qualquer amparo nos fatos nos quais se efetivamente proferidas por João Victor Gonçalves. Eventuais manifestações de terceiros — inclusive de cunho racista feitas por seguidores do referido contra o autor da hostilização — não podem ser a ele atribuídas, tampouco desviam a análise da conduta originalmente praticada contra a vítima.
Reafirma-se que João Victor Gonçalves figura, nestes fatos, exclusivamente na condição de vítima.