Do asfalto conservado das grandes capitais às estradas de piçarra e trechos de areia, rios e mar, a logística para garantir que a eleitora e o eleitor do interior do país exerçam o direito ao voto exige da Justiça Eleitoral uma operação que mobiliza recursos terrestres, fluviais e aéreos meses antes do pleito.  

A dimensão desse esforço foi destaque na abertura da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta terça-feira (25). O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, citou o sucesso da eleição simulada realizada no último domingo (23), em Paulino Neves, no Maranhão, como prova da capacidade operacional do sistema a menos de 40 dias das Eleições Gerais de 2026.  

“Realizamos uma eleição simulada que atestou, mais uma vez, a segurança, a transparência e a plena funcionalidade do nosso sistema. Trata-se de um verdadeiro ensaio geral para o pleito oficial de outubro. Onde houver um único eleitor, ali estará a presença da Justiça Eleitoral e a garantia da sua voz”, declarou Kassio Nunes Marques.  

O ministro ressaltou que o teste em solo maranhense serviu para demonstrar a capacidade de fazer a urna eletrônica chegar a locais de difícil acesso, enfrentando barreiras geográficas severas. 

“Testemunhamos o funcionamento impecável de seções em áreas de difícil acesso, cujo atendimento exige longos e complexos trajetos por estradas de areia. Chegar até lá não é um mero esforço logístico; é o cumprimento do dever de assegurar o pleno exercício da cidadania”, concluiu. 

Rota maranhense  

No Maranhão, o desafio de campo mencionado pelo presidente da Corte é vivido por duas seções isoladas: a Unidade Escolar São João Batista, no povoado Angelim, acessada por 20 minutos de estrada de piçarra, e a Unidade Escolar José Silva de Sousa, no povoado Simplício, cujo percurso exige 40 minutos em trecho arenoso. Kassio Nunes Marques esteve nos locais no último domingo, onde acompanhou a eleição simulada.  

Em estados com áreas de profundo isolamento, o transporte do equipamento exige veículos adaptados, tração nas quatro rodas e planejamento rigoroso.  

“A gente começa com asfalto, vai para uma estrada de areal, onde só o traçado mesmo passa — ou seja, as urnas passam por muito sacolejo —, depois pega várias pontes de madeira e uma parte com piçarra. São várias variáveis de estrada para essas urnas chegarem ao local. Temos povoados a duas horas de distância”, relata Lucilene Cardoso, chefe da Seção de Urnas Eletrônicas do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA).  

Mosaico de desafios  

O cenário maranhense, que transita entre a Floresta Amazônica, o Cerrado e a Caatinga, reflete o contraste de infraestrutura do território nacional. No Brasil, a Justiça Eleitoral elabora planos para alcançar pessoas que vivem em zonas rurais de difícil acesso, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, garantindo que o exercício da cidadania ocorra simultaneamente em todo o território nacional.   

A diversidade geográfica impõe planos de contingência específicos a cada regional:  

  • Norte e Amazônia: dependência  de transporte fluvial por rios e igarapés, além do apoio de aeronaves das Forças Armadas para alcançar comunidades ribeirinhas e terras indígenas.  

  • Maranhão e transição: combinação de estradas não  pavimentadas, trechos de areia e travessias por pontes de madeira.  

  • Sul e Sudeste: malha rodoviária  estruturada e maior conectividade, porém expostas a interrupções provocadas por eventos climáticos extremos, como enchentes.