O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (25), durante encontro com empresários e representantes do setor produtivo em São Paulo, a estabilidade fiscal como obrigação do governo e afirmou que o equilíbrio das contas públicas deve caminhar junto com políticas de proteção social. No discurso, Lula também abordou o cenário eleitoral, comparou a disputa a uma partida de truco e disse que uma escolha equivocada pode ter consequências para o país. Ele ainda relacionou a eleição à defesa da democracia, da indústria e das riquezas brasileiras.

Estabilidade fiscal

Ao falar sobre as contas públicas, Lula afirmou que o controle fiscal não deve ser tratado apenas como uma atribuição administrativa, mas como uma obrigação do governo. Segundo o presidente, o desequilíbrio das contas pode atingir principalmente a população de menor renda.

“A gente sempre definiu que estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória. Não é nem competência do governo, é obrigação. Ele sabe que quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre”

Lula também citou números para sustentar a avaliação de que o governo teria retomado uma trajetória de equilíbrio fiscal. Segundo ele, o país foi recebido com 2,8% de déficit e chegou a um resultado de 0,1% de superávit.

“Pegamos esse país com 2,8% de déficit. Este ano, entregamos um superávit de 0,1%. É pouco? É, mas é a demonstração de que nós encontramos o caminho para voltar a trazer ao Brasil a responsabilidade fiscal”.

Eleição e truco

Durante o discurso, o presidente passou a tratar diretamente do cenário eleitoral. Lula comparou a disputa a uma partida de truco, usando termos característicos do jogo para falar sobre sua própria candidatura e a do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Ao defender a experiência política da dupla, afirmou que os eleitores terão de avaliar os projetos colocados em disputa e relacionou a escolha eleitoral ao futuro do país.

“Vocês sabem que essa dupla aqui é melhor do que tudo que está na mesa. Aqui está o Zap e o Sete de Copas. O restante é ouro, espada, o três mequetrefe que não faz muita coisa”

Na sequência, Lula afirmou que uma decisão equivocada nas eleições pode trazer consequências para quem fizer a escolha.

“Essa dupla é melhor do que tudo o que está na mesa. Vocês estão diante de um cara que governou o estado mais rico por 16 anos e o único presente que está governando há 12 anos. Qual é a dúvida?”

A comparação com o truco também foi utilizada para destacar que, na avaliação do presidente, a eleição envolve decisões sobre o modelo de país que será adotado.

“Nós temos que definir que país que a gente quer. Um país que seja governado apenas para 35% da população ou um país governado para 100%? Isso que está na mesa. O que está em jogo é se a gente vai querer fortalecer o regime democrático ou a barbárie. Lula e Chuchu estão prontos para fazer o Brasil necessário. Para fazer o Brasil correto. Para fazer o Brasil justo”

Consumo e políticas sociais

Lula também defendeu a manutenção de políticas de proteção social como parte da estratégia econômica. Segundo o presidente, o aumento da renda da população amplia o consumo e, consequentemente, estimula a produção e a atividade das empresas.

“Quanto mais a gente criar uma sociedade de consumo, mais a gente vai ver as empresas produzirem e progredirem. Mais a agricultura vai ter que produzir”

O presidente criticou propostas que defendem cortes em despesas previdenciárias e políticas de inclusão como forma de equilibrar as contas públicas. Para Lula, a redução da renda da população pode enfraquecer o mercado consumidor.

“Quando você vê alguém falar que é preciso cortar gasto na previdência, na política de inclusão, você está fazendo o que se fez historicamente e que não deu certo. É tornar o pobre mais pobre”

Impactos de crises externas

Outro ponto abordado por Lula foi o impacto de crises internacionais sobre a economia brasileira. O presidente citou o aumento do preço do petróleo e os efeitos que a alta dos combustíveis pode provocar sobre alimentos e produtos transportados.

Ao mencionar o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, Lula afirmou que a elevação do petróleo repercute em diferentes setores da economia e disse que o governo buscou impedir que o impacto chegasse integralmente ao consumidor.

“O petróleo subiu. Aumentou a comida em todo o mundo, o feijão, o arroz, tudo que é transportado, o preço da gasolina em todos os países. Onde no mundo que seguramos (esses preços)? Aqui”

Segundo o presidente, o governo utilizou ganhos adicionais da Petrobras com a valorização do petróleo para ajudar a manter os preços dos combustíveis no mercado interno.

“Já investimos 47 bilhões de reais para não permitir que o preço da gasolina suba”

Indústria e riquezas estratégicas

Lula também defendeu o fortalecimento da indústria nacional e a utilização de riquezas brasileiras para ampliar a capacidade produtiva e tecnológica do país.

Entre os recursos citados estão as terras raras e os minerais críticos, considerados estratégicos para cadeias industriais e tecnológicas. O presidente defendeu que esses recursos sejam processados dentro do Brasil, em vez de serem exportados apenas como matéria-prima.

“Nós precisamos nos preparar para que essa nova possibilidade de riqueza que está no nosso subsolo seja um novo passaporte para o futuro desse país, que seja extraído aqui, transformado aqui, trabalhado aqui, industrializado aqui e vendido a bem do nosso interesse. Porque, senão, vamos virar meros exportadores outra vez”.

Soberania nacional

Ao falar sobre a relação do Brasil com outros países, Lula defendeu que o país mantenha autonomia para decidir sobre a utilização de seus próprios recursos naturais.

“Esse país aprendeu a não baixar a cabeça. Eu aprendi desde pequeno. Ninguém respeita quem não se respeita”

O presidente também afirmou que as riquezas brasileiras pertencem à população e associou a soberania econômica ao fortalecimento do setor produtivo nacional.

“Enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro e ninguém vai desrespeitar. Isso vale também para os empresários brasileiros. Porque é um país que tem que ter uma indústria muito forte. E o Estado pode ser bom participante em promover essa grandeza das empresas”

Ao final, Lula voltou a relacionar desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida. O presidente afirmou que pretende ampliar a renda e as oportunidades para além das políticas de transferência de renda.

“A gente vai transformar esse país num país em que a sociedade vai ter mais dignidade. Eu não quero mais um país só de Bolsa família. Eu não quero mais um país só de pequenas coisas. Eu quero um país de grandes coisas. Porque é isso que dá dimensão e grandeza”