Lideranças e personalidades identificadas com a centro-direita divulgaram neste sábado (17) um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, o grupo aponta “ameaças” à democracia e riscos de “retrocessos institucionais” associados ao projeto político do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os signatários estão o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., autor do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero. O manifesto também reúne ex-integrantes de governos, juristas, economistas, acadêmicos e ambientalistas.

O documento sustenta que a reeleição de Lula oferece melhores condições para preservar o equilíbrio entre os Poderes, os direitos e as liberdades democráticas, além de manter o diálogo entre diferentes setores da sociedade. Os signatários também defendem a continuidade de conquistas sociais, trabalhistas e educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental.

Grupo aponta riscos associados a Flávio Bolsonaro

No manifesto, os signatários afirmam que a candidatura de Flávio Bolsonaro representa riscos aos princípios defendidos pelo grupo. O texto menciona possíveis ameaças ao equilíbrio institucional, à preservação de direitos e à interlocução internacional do Brasil.

“Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil”, diz um trecho do documento.

O grupo também defende medidas para estimular o crescimento econômico, gerar empregos, recuperar a capacidade industrial do país e ampliar investimentos em educação, ciência e tecnologia. A preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais também aparecem entre as prioridades apontadas.

Foto: Reprodução

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Signatários dizem manter críticas ao governo Lula

Apesar do apoio à reeleição do presidente, os autores do manifesto afirmam que não abrem mão da independência para criticar a atual gestão. Segundo o documento, a decisão de apoiar Lula está relacionada à defesa de valores democráticos e institucionais, mesmo diante de diferenças políticas e ideológicas.

“Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha”, afirma o texto.

O manifesto conclui que a declaração representa, para os signatários, uma defesa de princípios que consideram fundamentais para o país, e não apenas um apoio a um candidato.

Alckmin e ministros participam de encontro

O documento foi apresentado durante o encontro “Pela democracia, pela estabilidade, pela justiça socioambiental e pelo Brasil”, realizado em São Paulo. O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

Antes da reunião, Alckmin defendeu a união em torno de pautas democráticas e do desenvolvimento econômico.

“Estão todos empenhados em defender a democracia, a Constituição brasileira, promover desenvolvimento. Nós não queremos o Brasil indo para a recessão, para o desemprego, para o fechamento de empresas. Queremos economia crescendo, distribuindo renda”, afirmou.

Durante o encontro com os signatários, o vice-presidente acrescentou que “a reeleição do presidente Lula é uma medida civilizatória”.

Marina Silva também comentou a mobilização de pessoas de fora dos partidos de esquerda em apoio ao presidente. “Há uma profusão de movimentos pró-Lula acontecendo nesse país para virar voto. É um grupo de pessoas que são pessoas do campo democrático, mas não são necessariamente dos partidos de esquerda e que estão aqui”, declarou.

Paralelamente, um grupo de evangélicos também participou de uma reunião em defesa da reeleição de Lula.

Leia o manifesto na íntegra

Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.

Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.

Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.

O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário. Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.

Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.

Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.