As doações privadas para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência somaram mais de R$ 20,3 milhões no segundo turno das eleições, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recebeu R$ 709,1 mil. Os dados são parciais e foram registrados pelas campanhas junto à Justiça Eleitoral. Entre os principais doadores de Flávio estão empresários do agronegócio, além de nomes dos setores calçadista, químico e de construção civil.

Empresários ampliam doações após o primeiro turno

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Antes de 4 de outubro, sua campanha havia registrado cerca de R$ 6,9 milhões em doações privadas. No segundo turno, o valor arrecadado ultrapassou R$ 20,3 milhões.

Entre os cinco maiores doadores individuais estão Elói Vitório Marchett, com R$ 2 milhões, e Nelson José Vigolo, com R$ 1,1 milhão. Outros três empresários aparecem com contribuições de R$ 1 milhão cada.

Veja os cinco maiores doadores de Flávio no segundo turno

  1. Elói Vitório Marchett - R$ 2 milhões: fez duas doações de R$ 1 milhão em 15 de outubro.

  2. Nelson José Vigolo - R$ 1,1 milhão: contribuiu com R$ 700 mil e R$ 400 mil em 13 de outubro.

  3. Alexandre Grendene - R$ 1 milhão: fez a doação em 16 de outubro.

  4. Angela Cristina Cattozatto Fortunato - R$ 1 milhão: contribuiu em 6 de outubro.

  5. Carlos André Andrioni Salgueiro Lourenço - R$ 1 milhão: doou R$ 300 mil em 14 de outubro e outros R$ 700 mil no dia seguinte.

Agronegócio concentra grandes doadores

Maior doador individual da campanha de Flávio, Elói Vitório Marchett é empresário do agronegócio em Mato Grosso. Seus negócios envolvem o cultivo de soja e sementes, a pecuária bovina e o transporte de cargas. Ele também é sogro do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil-MT).

Na segunda posição está Nelson José Vigolo, presidente do Grupo Bom Jesus Agropecuária, que atua principalmente em Mato Grosso, na Bahia e no Piauí.

Vigolo responde, desde 2021, por acusações de lavagem de dinheiro e corrupção em um suposto esquema de compra de decisões judiciais em benefício do grupo empresarial. Em 2024, segundo as informações divulgadas, ele firmou um acordo de delação premiada que prevê a devolução de R$ 20 milhões.

Empresários de outros setores também contribuíram

Alexandre Grendene, cofundador e presidente da fabricante de calçados Grendene, doou R$ 1 milhão à campanha de Flávio em 16 de outubro. A empresa é responsável por marcas como Melissa, Ipanema, Rider e Mormaii.

Ao todo, Grendene havia destinado R$ 5,45 milhões a campanhas eleitorais em 2026. Além de Flávio, contribuiu com R$ 3 milhões para Luciano Zucco (PL-RS), R$ 500 mil para Ciro Gomes (PSDB-CE) e Cid Gomes (PSB-CE), e R$ 200 mil para Marcel van Hattem (Novo-RS). A Grendene tem sede no Rio Grande do Sul e fábricas no Ceará.

Única mulher entre os cinco maiores doadores, Angela Cristina Cattozatto Fortunato é esposa de Francisco Fortunato, acionista e presidente do Grupo OCQ, holding do setor químico formada por 15 empresas, com operações em oito estados brasileiros e outros nove países.

Questionada pela Folha de S.Paulo, a empresa afirmou não ter relação com a contribuição, que foi feita por Angela em caráter pessoal.

Carlos André Andrioni Salgueiro Lourenço, que também doou R$ 1 milhão, atua nos setores de construção, engenharia e infraestrutura. Ele é sócio-diretor da Construtora Gomes Lourenço S/A, empresa com histórico de contratos de obras públicas e infraestrutura em São Paulo.

Presidente Lula | Ricardo Stuckert/PR

Lula recebeu menos doações privadas

Lula recebeu R$ 709,1 mil em doações privadas no segundo turno, valor cerca de 29 vezes menor que o registrado por Flávio. A campanha do petista também utiliza recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral.

Segundo os dados citados no levantamento, o PT recebeu R$ 20 milhões do fundo em 8 de outubro. O partido também registrou R$ 1,1 milhão em financiamento coletivo, embora o montante mencionado para o período após o primeiro turno tenha sido reunido em dois aportes: R$ 24 mil em 5 de outubro e R$ 12 mil no dia 12.

Em 2026, o PL recebeu R$ 881,7 milhões do Fundo Eleitoral, enquanto o PT teve direito a R$ 615,4 milhões. A distribuição dos recursos considera critérios como a representação dos partidos no Congresso Nacional, e as próprias legendas definem como o dinheiro será dividido entre seus candidatos.

Valores ainda podem aumentar

Os valores divulgados são parciais. De acordo com as informações do levantamento, as campanhas podem receber doações até 25 de outubro e devem atualizar posteriormente os dados da prestação de contas.

O PL havia registrado as informações em 17 de outubro, enquanto o PT fez o registro no dia 16.