O candidato ao Governo do Piauí pela Federação dos partidos PSOL e Rede Sustentabilidade, Professor Gisvaldo Oliveira, afirmou em sabatina da Meio Norte, no programa “Crime e Castigo”, desta quinta-feira (3), que seu projeto de governo pretende romper com o modelo econômico vigente no estado, baseado no agronegócio.
Para ele, o atual modelo não traz benefícios ao desenvolvimento do Piauí e acarreta malefícios ao bem-estar social.
Primeiro, precisamos desmistificar a ideia de que o agronegócio ajuda na arrecadação de impostos. Os produtos semiprimários são isentos de ICMS, ou seja, as empresas que vêm para cá são totalmente isentas de impostos. Elas recebem de 20 a 25 anos de isenção fiscal, utilizam gratuitamente as terras agricultáveis e devastam o meio ambiente. Produzem alimento com veneno, envenenam os nossos rios e vão embora, deixando um rastro de devastação, afirmou.
Professor Gisvaldo em sabatina da Meio Norte - Foto: Raíssa Morais/MeioNews
Ainda segundo o candidato, é preciso haver uma mudança na indústria, mudando a lógica agroexportadora “para uma matriz que seria baseada na economia da indústria de transformação”. Tal mudança, segundo o candidato, iria garantir a ampliação de empregos formais e a exigência de que a indústria funcionasse em “equilíbrio com o meio ambiente”.
DESERTIFICAÇÃO DE GILBUÉS
O candidato defendeu que as empresas que não atendem aos requisitos alinhados com o meio ambiente tenham o licenciamento de atuação revogado.
Elas não fazem isso. Elas degradam o meio ambiente. Essas empresas certamente teriam que sair do estado porque não podemos, enquanto governantes do estado, permitir uma política que degrada, que traz prejuízos à população”, completou o candidato.
Na oportunidade, ele citou a desertificação do município de Gilbués como exemplo dos impactos ambientais.
“Se essa política atual traz degradação ambiental, não podemos aceitar que permaneça e precisamos inverter essa lógica. Então, temos que enfrentar o agronegócio e promover essa transição para uma matriz mais adequada”, afirmou.
Ainda segundo ele, a estratégia seria fortalecer a agricultura familiar a partir de assessorias técnicas e garantindo a aquisição de instrumentos para os pequenos e médios produtores.
PRIVATIZAÇÃO E AGESPISA
O candidato também afirmou que a ineficácia das estatais está relacionada a uma política neoliberal e a políticas de governo que priorizam o setor privado.
É a política de desmonte e sucateamento que os governos fazem, típica da política neoliberal. Investe-se cada vez mais nessa política. Nós achamos que o problema é que o olhar do Governo do Estado atualmente é um olhar de mercado, de favorecimento do setor privado, afirmou.
O professor também citou, na oportunidade, o caso da Agespisa como exemplificação.
Professor Gisvaldo em sabatina da Meio Norte - Foto: Raíssa Morais/meionews
“Se houver uma política de Estado para reestruturar a Agespisa e se organizar um planejamento estratégico, nós podemos garantir o fornecimento d'água para toda a população do estado e, principalmente, universalizar o saneamento”, completou.
APOIO A LULA
Gisvaldo também afirmou que a atual gestão do estado não pode ser considerada de esquerda politicamente. Apesar disso, o professor afirma ser apoiador da reeleição de Lula, já que, em sua visão, seria a única opção possível para evitar que a extrema direita volte a governar o país.
“Há uma diferença conjuntural que está relacionada com a situação nacional e internacional que nós estamos vivendo. Hoje, nós temos uma ameaça de retorno do projeto de extrema direita neofascista do governo federal, o que não existe no Piauí. Por isso, nós apoiamos Lula porque acreditamos que é a opção que, neste momento, é a mediação possível para evitar que o governo de extrema direita volte à Presidência da República”, afirmou.